Justiça francesa absolve Airbus e Air France por acidente do voo Rio-Paris que matou 228 pessoas
Empresas alegavam inocência e, com a decisão favorável, não terão de pagar multa milionária
Internacional|Do R7, com AFP

A Justiça francesa absolveu nesta segunda-feira (17) a fabricante europeia Airbus e a companhia Air France pelo acidente do voo AF447 Rio-Paris em 2009, que matou 228 pessoas. As duas empresas foram processadas por homicídio culposo, quando não há intenção.
Quase 14 anos depois da tragédia, o tribunal de Paris absolveu as companhias por considerar que, embora tenham cometido "falhas", não foi possível demonstrar "nenhuma relação de causalidade" segura com o acidente, considerado o pior da história da aviação comercial francesa.
A tragédia aconteceu no dia 1º de junho daquele ano, quando o voo AF447, que fazia a rota entre o Rio de Janeiro e Paris, caiu no meio da noite no Oceano Atlântico, algumas horas após a decolagem. Os 12 tripulantes e os 216 passageiros — entre franceses, brasileiros, alemães, italianos, espanhóis e um argentino — morreram na tragédia. Tanto a Airbus quanto a Air France se declararam inocentes no caso.
Se condenadas, as duas empresas poderiam receber multas de 225 mil euros (R$ 1,14 milhão de reais, na cotação atual). Em 2022, durante o julgamento do caso, a Airbus negou responsabilidade pelo acidente.
No final do processo, que aconteceu de 10 de outubro a 8 de dezembro, o Ministério Público pediu a absolvição das duas empresas, por considerar que é "impossível demonstrar" sua culpabilidade.
O ACIDENTE
As caixas-pretas confirmaram o ponto de partida do acidente: o congelamento das sondas de velocidade Pitot, enquanto o avião estava em voo de cruzeiro, em uma zona com condições meteorológicas adversas denominada Zona de Convergência Intertropical, perto do Equador.

Com o avião desestabilizado pelas consequências dessa pane, um dos pilotos adotou uma trajetória ascendente e, sem compreenderem o que se passava, os três navegadores não conseguiram recuperar o controle da aeronave, que se precipitou e caiu no oceano apenas 4 minutos e 23 segundos depois.
Depois da catástrofe, o modelo instalado da sonda que era usado na aeronave Airbus que fazia a rota AF447 foi substituído no mundo inteiro. A tragédia, que marcou a comunidade dos pilotos, levou a outras modificações técnicas e a uma formação reforçada sobre estol (perda de sustentação) e o estresse das tripulações.












