Kerry critica intervenção de Irã, Hezbollah e Al Qaeda no conflito sírio
Internacional|Do R7
Doha, 5 mar (EFE).- O secretário de Estado americano, John Kerry, expressou nesta terça-feira em Doha sua rejeição à interferência do Irã, do Hezbollah e da Al Qaeda - que apoiam o regime de Damasco - no conflito sírio. Em entrevista coletiva junto com o ministro de Relações Exteriores do Catar, Hamad bin Jassim Al Thani, Kerry reafirmou seu apoio aos opositores sírios moderados e ao acordo de Genebra de junho do ano passado, que qualificou como "a fórmula para conseguir uma solução pacífica". Esta iniciativa, que estipula a transferência do poder na Síria e a formação de um governo transitório, pode ser apoiada tanto pelo regime sírio de Bashar al Assad como por seus aliados, a Rússia e o Irã, informou o chefe da diplomacia americana. Kerry ressaltou que os Estados Unidos trabalharam duramente contra o regime de Assad e deram apoio à oposição desde o princípio, mas destacou que é preciso ter certeza que esse esforço e ajuda "chegam à oposição moderada". O secretário de Estado disse que Assad "perdeu sua legitimidade e não há forma de recuperá-la", e por isso é necessário impulsionar o acordo de Genebra. "O plano de Genebra é a via lógica para alcançar uma solução pacífica e dar a oportunidade ao povo sírio de se decidir", acrescentou Kerry, que mostrou seu apoio a uma "Síria democrática", que respeite os diferentes grupos religiosos. O acordo foi assinado em Genebra em junho do ano passado pelo Grupo de Ação para a Síria, no qual participam China, Rússia, EUA, França, Reino Unido, Turquia, além da Liga Árabe, da ONU e da União Europeia. Por sua parte, Al Thani, cujo país é um dos que mais ajuda os rebeldes sírios, incluindo armas, também rejeitou a influência do Irã, do movimento xiita libanês Hezbollah e da Al Qaeda na crise síria. Quanto à possibilidade de que as armas caiam nas mãos de extremistas, o chefe da diplomacia do Catar lamentou que "quanto mais se prolongar o conflito, maior é a probabilidade da entrada de grupos extremistas". Al-Thani assegurou que o Catar apoia os opositores moderados, embora tenha se mostrado esquivo na hora de reconhecer se estão lhes dando armas. "Vemos uma mudança na postura internacional sobre o fornecimento de armas à oposição", ressaltou Al-Thani, que disse que "o terrorista é Bashar al Assad que é quem assassina o seu povo". Quanto às iniciativas para pôr fim ao conflito, como Genebra, criticou que o regime de Assad segue uma tática para prolongar qualquer acordo a fim de "ganhar tempo e esperar que surja outra crise em outra parte do mundo" que desvie a atenção da Síria. EFE iod-aj-mv/jt/rsd










