Líder opositor da Ucrânia pede que mulheres e crianças saiam da praça de Kiev
Líder da oposição acredita que reunião com presidente é uma chance para negociações de paz
Internacional|Do R7

O dirigente opositor ucraniano Vitali Klitschko pediu nesta terça-feira (18) que mulheres e crianças abandonem a Praça da Independência (Maidan) de Kiev diante da possibilidade de serem expulsos pelas forças antidistúrbios.
— Peço às mulheres e às crianças que abandonem Maidan. Não descarto a dispersão.
Klitschko pediu às forças de segurança para cessar a violência, e assegurou que, apesar das fracassadas tentativas anteriores de realizar negociações pacíficas, não se deve desperdiçar essa oportunidade, em alusão à reunião prevista para próxima quarta (19) com o presidente ucraniano, Viktor Yanukovytch.
— Estamos aqui no Maidan, e não permitiremos que seja desalojado pela força. Pedimos à polícia e aos Berkut (forças antidistúrbios) para não fazê-lo. O mais importante é impedir o derramamento de sangue.
O líder do principal partido opositor (Batkivschina), Arseniy Yatsenyuk, afirmou que as autoridades planejam destruir o Maidan e querem preservar o futuro com rajadas de Kalashnikov.
— Vemos que o regime não está disposto a fazer qualquer concessão. Vemos que o regime começou a disparar contra o povo. Não sairemos de Maidan, assegurou.
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Já o ex-ministro do Interior Yuriy Lutsenko declarou: "O tempo das palavras passou. Infelizmente, por culpa de uma pessoa que está no topo da pirâmide criminal". Ele fez um apelo para que os moradores de Kiev vão à praça porque é lá onde o futuro da Ucrânia está sendo negociado.
Durante quase todo o dia de violentos choques, os líderes opositores mantiveram um hermético silêncio até que as autoridades dessem um ultimato aos manifestantes para que pusessem fim aos confrontos. Soldados antidistúrbios ucranianos rodearam a Praça da Independência após dispersar os manifestantes que estavam concentrados na Rua Grushevski, nas imediações do estádio Valeriy Lobanovskyi.
Pelo menos cinco pessoas morreram nesta terça-feira (18) nos confrontos desencadeados no centro de Kiev, nos quais ficaram feridos 150 manifestantes e 47 soldados. Manifestantes e soldados protagonizam na capital os primeiros choques violentos desde as desordens do fim de janeiro.
Os enfrentamentos explodiram na Rua Grushevski quando a polícia tentou impedir a passagem de uma grande manifestação convocada pela oposição para demandar que seja restituída a Constituição de 2004, o que limitaria os poderes do presidente.











