Líder talibã paquistanês se diz "aberto a negociar" com Governo de Sharif
Internacional|Do R7
Londres, 9 out (EFE).- O líder talibã paquistanês, Hakimullah Mehsud, está "aberto a negociar" com o Governo de seu país que, segundo ele, não entrou em contato com o grupo islamita, de acordo com o que disse em entrevista transmitida nesta quarta-feira pela "BBC". Mehsud enfatizou sua disposição para manter "sérias negociações" com o Executivo pasquitanês depois que o novo primeiro-ministro, Nawaz Sharif, anunciou em maio que está aberto a conversas incondicionais com os talibãs destinadas a conseguir a paz. "Achamos as negociações sérias, mas o Governo não deu nenhum passo para se colocar em contato conosco", indicou Mehsud em entrevista realizada neste mês a um repórter do canal britânico em uma área não revelada do noroeste do Paquistão. Segundo o líder talibã, o Governo "tem que se sentar conosco e então apresentaremos nossas condições", das quais não quis falar. "A maneira adequada é que o Governo nomeie uma equipe formal e que se sente conosco para discutir nossas respectivas posições", explicou Mehsud, que assegurou que garantirá, se for o caso, a segurança dos negociadores o Governo. Mehsud apontou, além disso, que para que qualquer cessar-fogo ser crível, "é importante que parem os ataques de drones", em consequência da suposta morte do número dois da cúpula talibã paquistanesa, Waliur Rehman. Questionado sobre o motivo do fracasso de anteriores tentativas de conseguir a paz, Mehsud culpou o Executivo de Islamabad. "O Governo do Paquistão bombardeia gente inocente devido à pressão dos EUA... Os ataques de drones realizados por americanos foram apoiados pelo Paquistão. Depois os americanos pressionaram o Paquistão para que fossem lançadas operações nessas áreas e o Paquistão obedeceu", argumentou. Por outro lado, Mehsud negou que os talibãs tenham perpetrado recentes ataques mortais em lugares públicos, como o ocorrido contra um mercado na cidade de Peshawar, no noroeste do Paquistão, que causou mais de 40 mortos. "Consideramos a segurança dos muçulmanos, dos estudantes, das mesquitas e madraçais (escola corânica), um direito sagrado e quanto às explosões que ocasionaram mortes e danos em propriedade dos muçulmanos, negamos no passado e negaremos qualquer relação", asseverou. No entanto, Mehsud, que controla mais de 30 grupos militantes em áreas tribais do Paquistão, afirmou que os talibãs continuarão tendo como alvo "Estados Unidos e seus amigos". "Aqueles que têm fé nos infiéis, são amigos dos EUA e seguem o sistema dos infiéis... Tivemos como objetivo antes e continuaremos fazendo isso no futuro", manifestou. EFE prc/ff







