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Luta contra violência machista revolta radicais islâmicos no Egito

Internacional|Do R7

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Heba Helmy. Cairo, 25 mar (EFE).- A luta contra a violência machista tem despertado muita revolta nos islamitas mais radicais do Egito, que consideram que este fato representa uma intromissão para impor os valores ocidentais e destruir a família. A recente aprovação de uma declaração da ONU para acabar com a violência contra mulheres e meninas - assinada por 130 países, entre eles o Egito - gerou ainda mais polêmica entre os islamitas, que qualificam essa declaração como algo contrário à "sharia" (lei islâmica). A declaração proíbe, entre outros aspectos, o casamento com menores de idade e os casamentos forçados, e pede que as mulheres denunciem seus maridos às autoridades nos casos de estupro e agressão. No entanto, essa revolta não afeta somente os homens, mas também algumas mulheres de tendência islâmica, que rejeitam este documento e, inclusive, defendem a preponderância masculina. "O que aconteceria se um marido estuprasse sua mulher? A 'sharia' diz que a mulher tem que obedecer a seu marido quando ele quiser ter relações sexuais", afirmou à Agência Efe Randa Ragab, ativista defensora dos direitos da família e próxima ao grupo governante, a Irmandade Muçulmana. Para ela, é inaceitável que uma mulher denuncie seu marido por estupro ou assédio. Randa, que tem 36 anos e se casará em breve, também não aceita a ideia que a esposa deva participar das decisões do lar juntamente com seu marido, como propõe o documento da ONU. "Não se pode anular totalmente o homem na família", declarou a ativista. Grupos islamitas, como a Irmandade Muçulmana e o ultraconservador Gamaa Islamiya, acreditam que a declaração da ONU deseja impor as tradições ocidentais ao permitir certas liberdades sexuais, o que poderia representar a desintegração da família egípcia. De acordo com um comunicado da Gamaa Islamiya, "o islã defende o casamento com menores para que as mesmas não caiam em vícios". Neste aspecto, a organização condenou que a declaração da ONU proíba "os casamentos de menores de idade e, ao mesmo tempo, defenda a homossexualidade", tida como um grande tabu no Egito. Já o Conselho Nacional da Mulher do Egito, cuja delegação assinou a declaração na ONU após debater durante duas semanas os artigos que contrariam as tradições egípcias, defende a punição dos protagonistas de ações de violência machista. Em entrevista coletiva, a presidente do Conselho, Mervat al Tilawy, denunciou nesta semana que os radicais islâmicos lançaram uma dura campanha contra este documento, apesar de a delegação egípcia já ter pedido a anulação de alguns artigos relacionados às liberdades sexuais, à homossexualidade e ao aborto. "Nem aqueles que estão no poder, nem os clérigos das mesquitas e nem o ensino podem corrigir a cultura geral que incita a violência machista. Neste caso, as leis internacionais fazem falta por aqui", assegurou Mervat. Para esta defensora dos direitos da mulher, os islâmicos propagam a falsa ideia de que as tradições muçulmanas incitam a violência doméstica, enquanto, para ela, o islã respeita e muito os direitos femininos. Os atos de violência contra as mulheres, alguns deles cometidos em público, aumentaram ultimamente no Egito, um fato que começa a preocupar os defensores dos direitos humanos. Neste aspecto, Mervat lembrou casos de alunas que foram agredidas por seus professores nos colégios, assim como os recorrentes estupros nas ruas. "É preciso deter a violência contra a mulher sem colocar a religião neste assunto", finalizou a ativista. EFE hh/fk/rpr (vídeo)

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