Maduro pede poderes especiais e critica modelo econômico venezuelano
Internacional|Do R7
Caracas, 8 out (EFE).- O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, solicitou nesta terça-feira ao parlamento poderes especiais para ditar leis sem controle legislativo, em um discurso que criticou a "cultura rentista" venezuelana, a especulação no mercado de divisas e as raízes históricas da corrupção no país. "Vim pedir poderes para aprofundar, acelerar e batalhar por uma nova ética política", afirmou Maduro pouco depois começar seu discurso. Rodeado por seus ministros, o presidente chamou a construir uma "nova ética socialista" e a reverter "a lógica que faz com que a corrupção se reproduza a cada dia", após dizer que a economia venezuelana está sendo golpeada por uma série de dificuldades. "Convém ressaltar que a economia venezuelana atravessa uma conjuntura especial, que a produção do país está sendo impactada de maneira muito aguda por uma série de distorções como a especulação, o monópolio, o contrabando, o mercado de câmbio ilegal", expressou. Maduro gastou boa parte do discurso descrevendo as raízes históricas da corrupção na Venezuela, que acredita ameaça "engolir a pátria" se não for atacado. Ao mesmo tempo, ensaiou uma autocrítica não ter conseguido impedir a especulação de empresas e particulares com a Comissão de Administração de Divisas, que determina a taxa de câmbio oficial em US$ 1 para 6,3 pesos, valor que chega a se multiplicar por sete no mercado paralelo. "O Estado nacional bolivariano não pôde impedir que a importação se concentre em poucas mãos. Não foi eficiente o tanto necessário para fechar os caminhos dos que vivem da apropriação de dólares baratos", disse. Seu discurso incluiu também críticas ao setor privado "que pretende obter lucro sem produzir" e referências à cultura do rentismo, já que o país historicamente teve altas exportações petrolíferas o que deu lugar a uma "burguesia parasitária". O combate à corrupção é um dos primeiros desafios que Maduro se colocou ao iniciar em abril seu mandato de seis anos, junto de administrar uma economia que dá sinais acelerados de deterioração, entre a alta inflação e o desabastecimento de alguns bens de consumo em massa. O chavismo precisa de 99 deputados para aprovar os poderes, mas a bancada governista, estima-se, só controla 98. EFE ig/cd (foto)










