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Mais americanos enfrentam dificuldades para manter em dia os pagamentos da casa e do carro

Apesar do crescimento da economia dos EUA, aumento do custo de vida pressiona os consumidores mais vulneráveis

Internacional|Alicia Wallace, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Os americanos enfrentam um aumento nos atrasos de pagamentos de financiamentos imobiliários e de veículos, atingindo níveis não vistos em uma década.
  • A economia dos EUA cresce, mas a inflação persistente e o aumento do custo de vida afetam desproporcionalmente os consumidores mais vulneráveis.
  • Apesar da estabilidade geral, há um aumento preocupante na inadimplência grave em empréstimos para automóveis, refletindo pressões financeiras significativas.
  • A desigualdade econômica se acentua, com famílias de menor renda enfrentando dificuldades para manter suas finanças em dia, enquanto outras se beneficiam do crescimento econômico.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A maioria dos americanos está conseguindo pagar suas dívidas, mas aqueles que estão com dificuldades financeiras estão ficando cada vez mais inadimplentes.
Inflação e custos elevados levam um número crescente de famílias nos EUA à inadimplência phi2/iStockphoto/Getty Images via CNN Newsource

Mais americanos estão ficando ainda mais atrasados no pagamento de seus financiamentos imobiliários e de veículos do que em qualquer momento da última década, segundo novos dados divulgados nesta terça-feira (11) pelo Federal Reserve Bank de Nova York.

Uma parcela maior da população ficou pelo menos 30 dias atrasada no pagamento da hipoteca no segundo trimestre deste ano do que em qualquer trimestre desde 2015, de acordo com o mais recente Relatório Trimestral sobre Dívida e Crédito das Famílias do Fed de Nova York. Além disso, mais pessoas entraram em inadimplência grave, ou seja, com atraso de 90 dias ou mais, nos pagamentos de empréstimos para automóveis do que em qualquer trimestre desde 2010.


No entanto, os dados mais recentes também mostram que a economia não afeta todos da mesma forma: a maioria das pessoas, em geral, não está deixando suas dívidas saírem de controle.

Pesquisadores do Fed de Nova York observaram que as taxas gerais de inadimplência seguem acima dos níveis pré-pandemia, mas permanecem relativamente estáveis e longe dos patamares registrados durante a Grande Crise Financeira e nos anos imediatamente posteriores.


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O relatório divulgado nesta terça-feira é mais uma peça do conjunto de dados que evidencia experiências muito diferentes vividas pelos americanos na economia.

“Há realmente muitas pessoas que estão indo muito bem e gastando porque se sentem confiantes e seguras em seus empregos”, disse Matt Schulz, analista de finanças do consumidor da LendingTree, à CNN. “Mas também existe um grande número de pessoas enfrentando dificuldades e bastante preocupadas devido aos preços elevados e a um mercado de trabalho desafiador.”


Segundo ele, o aumento da inadimplência em empréstimos para veículos é um sinal de alerta, especialmente após a alta dos preços da gasolina nos últimos meses.

“Não é surpresa que a inadimplência em financiamentos de automóveis esteja aumentando gradualmente, mas isso continua sendo preocupante”, afirmou. “As pessoas geralmente não deixam de pagar o carro até estarem sob forte pressão financeira. Para muitos americanos, o automóvel é o que permite ir ao trabalho e manter a rotina funcionando.”


O relatório desta terça-feira reforça o retrato de uma economia marcada por contrastes.

A economia dos Estados Unidos continua crescendo; o desemprego permanece baixo; e os enormes investimentos e o interesse em inteligência artificial impulsionaram as bolsas de valores e a riqueza de uma parcela significativa dos americanos.

No entanto, essa expansão econômica esconde desigualdades cada vez maiores.

Mais de cinco anos de inflação acima do normal elevaram o custo de vida, afetando principalmente quem tem menos condições de arcar com despesas maiores. O crescimento do emprego tem sido fraco na maioria dos setores. E, após a guerra no Irã provocar uma alta nos preços dos combustíveis, a inflação voltou a corroer os salários dos trabalhadores.

Pesquisadores do Fed de Nova York afirmaram nesta terça-feira que os dados mais recentes “ainda refletem essa economia em formato de K”, em que os resultados para indivíduos de maior renda e patrimônio se afastam cada vez mais daqueles de menor poder aquisitivo.

“Há muitas famílias vivendo de salário em salário, e basta que uma coisa dê errado para que acabem entrando em inadimplência”, disseram os pesquisadores.

No geral, o saldo da dívida das famílias americanas caiu US$ 13 bilhões, ou 0,1%, chegando a US$ 18,8 trilhões no segundo trimestre. No entanto, os pesquisadores observaram que essa queda se deve, em grande parte, a uma particularidade contábil relacionada aos financiamentos imobiliários.

A redução de US$ 74 bilhões nos saldos das hipotecas foi atribuída a uma “lacuna de transferência entre administradoras”, causada por atrasos no registro das informações de crédito quando uma hipoteca é transferida de uma instituição para outra. Segundo os pesquisadores, esse efeito provavelmente será revertido no próximo trimestre.

Sem essa distorção, os saldos das hipotecas teriam permanecido estáveis no trimestre, o que teria resultado em um aumento de US$ 61 bilhões, ou 0,3%, da dívida total das famílias. Excluindo as hipotecas, os saldos cresceram na maioria das principais categorias de crédito, incluindo empréstimos com garantia imobiliária, financiamentos estudantis, empréstimos para veículos, cartões de crédito e empréstimos pessoais.

Dívidas mais elevadas, até mesmo em níveis recordes, não são necessariamente inesperadas. Por um lado, os dados do Fed de Nova York não são ajustados pela inflação, que vem registrando aumentos acima do normal há cinco anos consecutivos. Além disso, os saldos podem crescer por fatores como expansão populacional, aumento das compras online e condições econômicas que estimulam o consumo.

Por exemplo, um recorde de US$ 211 bilhões em novos empréstimos para veículos apareceu nos relatórios de crédito dos americanos durante o segundo trimestre. Tradicionalmente, o período de restituição de impostos estimula a compra de carros, mas os preços dos veículos estão mais altos do que nunca e, mais uma vez, esses dados não são ajustados pela inflação.

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