Mandela volta a suas origens para ser enterrado
Internacional|Do R7
Marcel Gascón e Javier Marín. Qunu (África do Sul), 14 dez (EFE).- O corpo de Nelson Mandela voltou neste sábado para a aldeia onde passou a infância, Qunu, no sudeste da África do Sul, para ser enterrado amanhã no terreno da casa de sua família. Milhares de moradores da região saíram para ver passar o comboio para homenagear seu herói, cujos restos mortais chegaram depois do meio-dia ao aeroporto de Mthatha, a cerca de 30 quilômetros de Qunu, vindos de Pretória e a bordo de um avião militar. Ao longo da estrada que une essa cidade com Qunu, sulafricanos homenagearam o cortejo fúnebre com canções de agradecimento, danças e imagens do ativista. Na entrada de Qunu foi recebido por centenas de pessoas, alguns deles vizinhos do ex-presidente, que lembraram da convivência com Madiba (como é carinhosamente conhecido). "Na Natal de 1995 passou por aqui e cumprimentou todos os moradores que encontrou", lembrou a aldeã Cynthia Xala. "Entrou em nossa casa e perguntou por Nomalady", disse Xala, em referência à irmã de seu pai, a quem Madiba conhecia pessoalmente desde a juventude no povoado. Os mais jovens lembram dele sentado na entrada de sua casa durante as festas para crianças que organizou em muitos Natais. "Distribuía presentes para todos, bonecas para nós e carros para os meninos, me sinto muito afortunada de tê-lo conhecido", acrescentou Oyama, uma jovem que participou de uma destes encontros em 2007. Ao seu lado, um grupo de mulheres vestidas com as roupas tradicionais "xhosa" - a etnia majoritária na região e à qual pertencia Mandela, entoavam canções tradicionais e dançavam pela calçada na entrada da cidade. Um grande desdobramento policial vigiava o perímetro e bloqueava o tráfego aos jornalistas e a qualquer pessoa de fora da pequena cidade, que fica em uma zona rural onde as vacas pastam tranquilamente. Aberta por uma escolta policial, uma longa comitiva de carros oficiais apareceu em Mthatha, provocando o júbilo das pessoas. Dentro de alguns veículos, que estavam com os vidros abaixados, era possível ver chefes tribais vestidos ao estilo tradicional, homens de terno e antigos membros uniformizados do Umkhonto we Sizwe, o extinto braço armado de luta contra o regime racista do "apartheid" fundado por Mandela. Alguns cumprimentaram levantando punho, à maneira revolucionária, como costumava fazer Mandela, enquanto eram hasteadas bandeiras da África do Sul e do hoje governo Congresso Nacional Africano, que liderou a luta contra o segregacionismo e que foi dirigido por Madiba. Ao longe, no final dos verdes colinas da infância de Mandela, uma grande tenda branca dava aos habitantes correntes de Qunu uma das poucas pistas do que acontecerá amanhã durante o funeral de Estado, que será acompanhado por cerca de quatro mil pessoas, incluídos líderes estrangeiros. "É triste que os moradores não possam ir, é injusto com o povo", disse à agência Efe Noksi Masakane, cujo sogro costumava tomar café com Madiba. Masakane se queixou do pouco protagonismo que a organização deu aos moradores de Qunu, que não podem se aproximar da casa e acompanharão a cerimônia em duas telas gigantes instaladas na cidade. Após várias horas de espera, outra escolta militar finalmente anunciou que o caixão tinha chegado ao vilarejo. Por trás do cordão de voluntários que as separava da calçada, as mulheres cantavam "Malibongwe" ("Graças") a Nelson Mandela e dançavam com a própria música. O caixão de Mandela entrou no complexo familiar de Qunu, enquanto pela estrada de Mthatha continuavam a chegar veículos com sirenes e helicópteros sobrevoavam a pitoresca aldeia. EFE mg-jmc-dgp/cd (foto) (vídeo)











