Manifestantes egípcios entram em confronto com polícia após dias de calmaria
Internacional|Do R7
CAIRO, 8 Fev (Reuters) - Milhares de egípcios marcharam e lançaram gritos contra o presidente islâmico do país, Mohamed Mursi, em cidades de todo o Egito nesta sexta-feira, queimando pneus e atirando bombas de gasolina em algumas áreas.
Pelo menos 45 pessoas ficaram feridas durante o dia de protestos, disseram fontes médicas no Ministério da Saúde.
Protestos ferozes eclodiram no mês passado sobre o que manifestantes viram como tentativas de Mursi de monopolizar o poder. Houve ainda reclamações políticas e econômicas, mas a agitação havia se acalmado durante a última semana.
A principal aliança da oposição, que assinou um acordo com a Irmandade Muçulmana na semana passada rejeitando a violência, não havia conclamado marchas nesta sexta-feira.
Embora o número de manifestantes tenha diminuído, a desconfiança sobre Mursi e a Irmandade e uma sensação de mal-estar político e econômico continuaram a levar as pessoas para as ruas.
Pelo menos 59 pessoas morreram nas manifestações entre 25 de janeiro, segundo aniversário da revolta que derrubou o presidente Hosni Mubarak, e 4 de fevereiro.
Os confrontos mais violentos nesta sexta-feira foram na cidade de Tanta, no Delta do Nilo, cidade natal de um ativista de 23 anos, Mohamed el-Gendi, que foi enterrado nesta semana depois de ser espancado até a morte por homens da segurança no Cairo.
Imagens de televisão mostraram dezenas de manifestantes arremessando bombas de gasolina contra a polícia, que respondeu com bombas de gás lacrimogêneo para dispersar a multidão.
"Abaixo, abaixo à regra do Guia Supremo", gritavam os manifestantes, referindo-se a Mohamed Badie, líder da Irmandade, que dominou a política do Egito desde a queda de Mubarak.
Em outra cidade do Delta, Kafr el-Sheikh, dezenas de manifestantes atiraram pedras na polícia e tentaram invadir um prédio do governo para exigir a retirada do governador provincial, informou a agência de notícias estatal Mena.
Milhares de manifestantes também se reuniram na Praça Tahrir, no Cairo, epicentro da revolta que derrubou Mubarak, e nos arredores do palácio presidencial, onde testemunhas disseram que alguns jogaram bombas de gasolina sobre o portão.
Na estação de metrô Praça Tahrir, manifestantes pararam a principal linha, subindo nos trilhos, segundo a agência Mena.
(Reportagem de Alexander Dziadosz)











