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Maquinistas da Espanha convocam greve após descarrilamentos fatais de trens

Sindicato deve exigir responsabilização criminal dos responsáveis por segurança na infraestrutura ferroviária

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Maquinistas da Espanha convocaram greve de três dias em fevereiro, exigindo segurança ferroviária após descarrilamentos fatais.
  • Três acidentes ocorreram em 48 horas, resultando na morte de dezenas, incluindo dois maquinistas.
  • O sindicato Semaf pede responsabilização criminal dos responsáveis pela segurança na infraestrutura ferroviária.
  • Ministro dos Transportes afirmou que especialistas investigam as causas dos acidentes, descartando fator humano.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Três descarrilamentos deixaram dezenas de mortos em 48 horas  Albert Gea/Reuters - 21.01.2026

O maior sindicato de maquinistas da Espanha convocou, nesta quarta-feira (21), uma greve nacional de três dias, de 9 a 11 de fevereiro, para exigir medidas que garantam a segurança ferroviária, após três descarrilamentos em 48 horas deixarem dezenas de mortos, inclusive dois maquinistas.

Um trem de passageiros descarrilou na terça-feira (20) depois que um muro de contenção desabou sobre os trilhos durante fortes chuvas em Gelida, perto de Barcelona, matando o maquinista e ferindo gravemente quatro passageiros.


Antes disso, no domingo (18), dois trens colidiram perto de Adamuz, na província de Córdoba, no sul do país, em um dos piores acidentes ferroviários da Europa. Um maquinista estava entre as 43 pessoas que morreram.

Uma grande peça de maquinário encontrada perto do local do acidente em Adamuz pode ser o pedaço de material rodante que investigadores procuravam para determinar o motivo do acidente, disseram uma fonte e especialistas nesta quarta-feira.


O ministro dos Transportes, Oscar Puente, disse a jornalistas que investigadores analisaram e tiraram fotos da peça, acrescentando que parece lógico acreditar que a peça foi arremessada para um riacho após os dois trens colidirem.

Puente afirmou que as autoridades estão trabalhando para retomar, em 2 de fevereiro, a ligação ferroviária Madri-Andaluzia, suspensa desde o acidente de domingo.


Um terceiro descarrilamento de trem na rede regional de Barcelona, que não deixou feridos, foi causado pela queda de uma pedra na linha durante a mesma tempestade na terça-feira, informou a operadora da rede ferroviária Adif.

“Os graves acidentes em Adamuz e Gelida, ambos com vítimas fatais, são um ponto de inflexão na exigência de todas as ações necessárias para garantir a segurança das operações ferroviárias”, disse o sindicato dos operadores de trens Semaf em um comunicado.


O sindicato acrescentou que deve exigir a responsabilização criminal “dos responsáveis por garantir a segurança na infraestrutura ferroviária”.

Alerta sobre desgaste

Em agosto passado, o Semaf havia alertado a Adif em uma carta sobre o desgaste severo dos trilhos da ferrovia onde os dois trens se chocaram, de acordo com uma cópia da carta vista pela Reuters, dizendo que buracos, solavancos e desequilíbrios nas linhas elétricas aéreas estavam causando avarias frequentes e danificando os trens em várias das linhas de alta velocidade da rede.

“Não compartilhamos (da opinião) de que uma greve geral seja a melhor abordagem”, disse Puente a jornalistas, acrescentando que se reuniria com os sindicatos.

Ele descartou a possibilidade de o acidente de Adamuz ter sido provocado por um fator humano, mas disse que a causa técnica ainda não foi determinada e parece ser muito complexa.

Segundo ele, foram encontradas pequenas marcas nos truques dianteiros do trem descarrilado e de alguns trens anteriores, mas afirmou que seria prematuro relacioná-las diretamente a defeitos de infraestrutura.

Separando o vagão

Equipes de resgate no local do acidente de Adamuz encontraram outro corpo, aumentando o número de mortos para 43, enquanto desmontavam o segundo vagão do trem pertencente à operadora estatal Renfe, informou o governo regional da Andaluzia em um comunicado.

Durante a noite, guindastes foram usados para remover um dos últimos vagões do trem descarrilado, operado pelo consórcio privado Iryo.

Puente relatou que o intervalo entre o descarrilamento e a colisão foi de apenas nove segundos, deixando os trens sem tempo para frear. Autoridades haviam dito anteriormente que o intervalo era de 20 segundos.

Gravações das chamadas telefônicas entre o maquinista do trem Iryo e o centro de controle em Madri sugerem que ele e os passageiros que viajavam nos cinco vagões dianteiros não perceberam inicialmente que havia ocorrido um acidente com outro trem, disse Puente.

Foi somente depois de descer do trem para inspecioná-lo e ver os danos nos vagões traseiros que ele fez outra ligação para pedir o envio de ambulâncias.

A Adif disse nesta quarta-feira que introduziu um novo limite de velocidade na linha Madri-Barcelona após um motorista relatar condições ruins na via em um trecho de 78km.

Na terça-feira, a empresa ordenou que os motoristas limitassem a velocidade devido a preocupações com o estado da via. Sua equipe de manutenção trabalhou durante a noite para inspecionar a linha e encontrou quatro pontos que precisavam de reparos, disse a Adif em um comunicado.

Os trens que viajam entre Madri e a cidade de Valência, no leste do país, também receberam ordens para limitar a velocidade em um trecho de 1,8km da linha, informou a Adif nesta quarta-feira.

Os trens regionais na Catalunha foram suspensos nesta quarta-feira para permitir inspeções nos trilhos após as recentes tempestades.

A Renfe postou uma foto de seu presidente, Álvaro Fernández Heredia, usando um serviço de ônibus substituto enquanto viajava de Adamuz para Madri.

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