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Mísseis Patriot já protegem a Turquia de possíveis ataques da Síria

Internacional|Do R7

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Ilya U. Topper. Kahramanmaras (Turquia), 2 fev (EFE).- Oito veículos que funcionam como plataforma de lançamento de mísseis Patriot já estão posicionados nas colinas ao redor de Kahramanmaras, cidade de 400 mil habitantes no sul da Turquia, para proteger o país de possíveis ataques da Síria. O sistema, operacional desde a segunda-feira passada, tem caráter exclusivamente defensivo e foi programado para não penetrar em solo sírio, explicou à Agência Efe o tenente-coronel Frank Schulz, da unidade alemã responsável pelos veículos. "Se um míssil for disparado para interceptar um foguete inimigo, a colisão sempre acontecerá no espaço aéreo turco", insistiu o militar alemão durante uma visita guiada. O dispositivo defensivo também não representa perigo para os moradores, já que um míssil destruído não deixa rastros. "A energia desenvolvida em uma colisão de dois mísseis é tão alta que destrói completamente o foguete; nada chega ao solo", esclareceu Oliver Lukas, outro dos militares enviados pela Alemanha, que junto com Holanda e Estados Unidos forneceu seus Patriot para proteger a Turquia. Lukas, também tenente-coronel, relatou que mesmo se um hipotético míssil tivesse uma carga de gás, a explosão o destruiria totalmente. "Não sabemos com toda certeza se a Síria dispõe de gás tóxico; nossos serviços de informação asseguram que essa possibilidade existe, portanto é melhor estar preparado para toda eventualidade, mas, pessoalmente, não vejo que vantagem estratégica daria a posse de gás ao Governo de Damasco", ponderou Schulz. Por via das dúvidas, uma unidade de combate NBQ, ou seja contra armas atômicas, biológicas e químicas, faz parte do módulo, apesar de ninguém acreditar que a Síria tenha capacidade nuclear. A unidade alemã tem como missão proteger a cidade de Kahramanmaras, situada a 100 quilômetros da fronteira síria, enquanto os holandeses protegem Adana, mais ao oeste, e os EUA instalarão nos próximos dias suas baterias em Gaziantep, a sexta maior cidade turca, a apenas 50 quilômetros da Síria. No total, as seis baterias, duas por país, protegem 3,5 milhões de moradores na parte oeste da fronteira turco-síria. Os locais foram escolhidos entre os três países e a Turquia, mas não houve explicação de por que deixa sem cobertura a metade oriental da linha fronteiriça. "A decisão foi tomada após a avaliação de todos os dados estratégicos, militares e políticos, mas é preciso lembrar que as demais áreas não estão indefesas, já que a Turquia dispõe de sistemas de defesa próprios", argumentam oficiais turcos durante a visita. Os Patriot estão por enquanto em "modo de segurança", afirmou Lukas, o que significa que não estão ativados, mas sim plenamente operacionais. "Além disso, os programamos para que unicamente reajam frente a mísseis, mas não perante aviões, de modo que o tráfego aéreo civil está completamente fora de perigo", detalhou. Além disso, o radar foi ajustado para cobrir unicamente território turco, não sírio, apesar de tudo o que ocorrer na região ser observado de forma contínua por vários radares, entre eles um de Ancara e o de Malatya, também instalado pela Otan. Os dados confluem na base de Ramstein, na Alemanha, e dali são transmitidos à unidade de Kahramanmaras, explicou o tenente-coronel. A população local recebeu os militares alemães com curiosidade, mas sem hostilidade, acrescentou o militar. No entanto, o uniformizado reconheceu que dias atrás cinco soldados alemães foram agredidos em Alejandreta, durante um passeio privado, mas ressaltou que se tratou de uma ação organizada, não de uma reação espontânea da população. As plataformas de lançamento dos Patriot não estão camufladas e podem ser vistas da periferia da cidade, algo proposital, segundo Lukas. "Queremos que saibam que estamos aqui e que estamos participando da proteção de nosso aliado, a Turquia", concluiu o tenente-coronel. EFE iut/rsd (foto) (vídeo)

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