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Monti viu riscos de isolamento da Itália na crise diplomática com Índia

Internacional|Do R7

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Roma, 27 mar (EFE).- O primeiro-ministro interino da Itália, Mario Monti, disse nesta quarta-feira que seu governo permitiu o retorno à Índia dos dois militares italianos processados pela Justiça da nação asiática porque via "sérios" riscos de seu país ficar isolado internacionalmente. Em um comparecimento na Câmara dos Deputados, no qual foi muito questionado por alguns dos presentes, Monti acabou revelando que o até ontem ministro das Relações Exteriores, Giulio Terzi, não disse os verdadeiros motivos de sua renúncia. "Havia riscos sérios e objetivos da Itália ficar isolada no plano internacional perante uma grave crise com a Índia", afirmou o primeiro-ministro interino, que hoje assumiu o ministério das Relações Exteriores de modo temporário. Terzi anunciou ontem sua demissão por não estar de acordo com o governo sobre a questão. O chefe do governo tecnocrata explicou que a decisão tomada em 21 de março de permitir a volta à Índia de seus militares chegou depois das autoridades do país asiático garantirem a dignidade dos funcionários italianos. "Foi excluída a possibilidade de uma pena de morte, assim como outros compromissos que estavam dentro da estratégia de abertura de diálogo e que se consideravam necessários", acrescentou Monti. O líder disse que esses foram os motivos que levaram seu governo a mudar de opinião dez dias após anunciar que os militares, acusados de matar dois pescadores indianos supostamente confundidos com piratas, não retornariam ao término da permissão concedida para votarem nas eleições italianas. Monti negou a existência de algum tipo "de acordo ou de troca secreta" com Nova Délhi para devolver os militares. O primeiro-ministro utilizou duras palavras para se referir a Terzi, que ontem anunciou de forma inesperada sua renúncia. "Fiquei estupefato. O que ele fez foi comunicar aqui, sem informar previamente nem o chefe do Estado nem o presidente do governo", comentou. Segundo o primeiro-ministro, Terzi não demonstrou contrariedade pela decisão no caso com a Índia, nem mesmo horas antes de apresentar sua demissão. "Tenho razões para pensar que seu objetivo não era tentar mudar uma decisão, mas algo externo, ou seja, conseguir outros resultados que talvez em breve fiquem mais evidentes", avaliou Monti. Segundo alguns meios de comunicação, o partido do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi pode ter mediado a renúncia de Terzi prometendo a ele um cargo em um futuro governo e prejudicando Monti, que teve o nome ventilado como um possível ministro para o próximo Executivo de Pier Luigi Bersani. EFE mcs/dk

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