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Moradores de Washington recebem incrédulos notícia de fim da paralisação

Internacional|Do R7

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Raquel Godos. Washington, 16 out (EFE).- Os moradores de Washington receberam nesta quarta-feira com alguma incredulidade as notícias de um acordo bipartidário no Senado que permitiria, no último minuto, pôr fim à paralisação da administração federal e evitar a entrada do país na moratória. Pelo menos por enquanto, o pior foi evitado se, como parece, os republicanos da Câmara dos Representantes desistirem desta batalha. A capital do país, a mais afetada pela paralisação parcial da administração devido à sua concentração de agências governamentais, olhava hoje para o Capitólio com certa saturação e sem crer que os intermináveis debates entre republicanos e democratas tivessem sido bem sucedidos. Brian Williams é um dos afetados pelos "furloughs", como se chamam as licenças forçadas sem salário, decretadas pela administração federal para mais de 800 mil funcionários quando aconteceu a paralisação por falta de fundos. Funcionário do Departamento federal de Agricultura, Willians está há mais de duas semanas em casa à toa, e mesmo com o acordo fechado no Senado não está muito confiante. "Pensava que ficaria mais alguns dias sem trabalhar, porque parecia impossível que entrassem em um acordo. Vamos esperar o que dizem os republicanos na Câmara", disse a Agência Efe. A proposta do Senado, anunciada hoje, autoriza um aumento na capacidade de endividamento do Tesouro até 7 de fevereiro e desbloqueia o orçamento para reabrir a administração até 15 de janeiro, o que daria tempo para que os dois grandes partidos negociem um acordo mais amplo sobre o gasto público e a redução do déficit em mais longo prazo. Essa negociação sem limites seria o único ganho que a oposição republicana teve, já que sua insistência em condicionar o financiamento do governo e a elevação do endividamento à revogação ou adiamento da reforma da saúde de 2010 foi o desencadeante da paralisia governamental. No entanto, os cidadãos não acreditam que tenham acabado as escaramuças partidárias. Os Estados Unidos vivem um dos momentos de maior polarização política em décadas, devido ao ativismo do grupo ultraconservador Tea Party. Durante estes dias também os militantes do Tea Party se manifestaram, repetindo a mensagem que a reforma da saúde é nociva para os americanos, porque aumenta os impostos e reduz a criação de emprego e representa uma ingerência intolerável do governo na vida privada dos cidadãos. Há 17 anos, desde o mandato do também democrata Bill Clinton, as atividades do governo não tinham ficado dependendo das negociações partidárias. "Estamos nos acostumando a esta atitude dos republicanos. Mesmo assim, este acordo provocaria que em janeiro voltássemos a passar por isto outra vez. Não são razoáveis", opinou Ronald Bales, morador da área metropolitana da cidade. O trânsito e o ritmo da capital dos Estados Unidos diminuíram nas últimas semanas, não somente pelas dezenas de milhares de empregados federais que ficaram em suas casas, mas também pela redução de turistas vindos de outras partes do país. Samantha Brew foi a Washington com a intenção de visitar os principais monumentos da cidade, mas a falta de acordo orçamentário a fez ficar na vontade. "Já tinha decidido minhas férias para esta data para visitar a minha irmã e não podia trocá-las. Tive que me conformar com os museus pagos", contou Samantha, que voltará na quinta-feira ao Colorado e não poderá fazer o percurso turístico tradicional pelos corredores do Congresso. EFE rg/cd

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