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Morales diz que referendo sobre reeleição na Bolívia ainda não está perdido

Pesquisas indicam que presidente não poderá se candidatar à reeleição em 2019

Internacional|Do R7

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Evo Morales, presidente da Bolívia, pode não se candidatar à reeleição em 2019
Evo Morales, presidente da Bolívia, pode não se candidatar à reeleição em 2019

O presidente da Bolívia, Evo Morales, pediu aos bolivianos nesta segunda-feira (22) que esperem "calmamente" pelo resultado oficial do referendo de domingo passado (21), no qual pediu a chance de se candidatar à reeleição, enfatizando que o desfecho ainda é incerto, apesar das indicações de que saiu derrotado.

Morales, que se tornou o primeiro presidente indígena da Bolívia em 2006 e cumpre seu terceiro mandato, perguntou se a Constituição deveria ser alterada para que ele possa concorrer na eleição de 2019 e potencialmente permanecer no poder até 2025.


Resultados preliminares da votação de domingo indicaram que ele está a caminho de um fiasco. Até a tarde desta segunda-feira, com cerca de 40% das urnas apuradas, o 'não' liderava sobre o 'sim' — 59 a 41%, de acordo com a comissão eleitoral. O comparecimento foi alto e ficou em torno de 87%, disse o organismo.

Pesquisa indica derrota de Evo Morales em referendo


Pesquisas de boca de urna mostraram um resultado bem mais apertado, embora ainda com vantagem para o 'não'. O voto pró-Morales deve crescer à medida que os votos das áreas rurais e do exterior forem sendo apurados, mas Luis Garay, responsável local do instituto de pesquisas Ipsos, afirmou que, mesmo contando com a margem de erro, um triunfo do 'sim' é praticamente impossível.

Mesmo assim, Morales disse ser cedo demais para se conhecer o desenlace.


— Estou pedindo a todos os movimentos sociais, tanto do 'sim' quanto do 'não', para que esperem calma e responsavelmente pelo resultado final da comissão eleitoral.

A rejeição seria mais um golpe para o outrora dominante bloco esquerdista da América do Sul, que está perdendo ímpeto diante da revolta dos eleitores com favorecimentos pessoais e da queda nos preços das commodities, que limitam os gastos governamentais.


Os partidários de Morales dizem que ele trouxe estabilidade e investiu em programas sociais em um dos países mais pobres da região, e por isso deve ter oportunidade de continuar.

O presidente prometeu respeitar qualquer que seja o desfecho da votação, mas isso não significa que seu partido, o MAS (Movimento Ao Socialismo), irá desistir de seu desejo de emendar a carta magna do país, opinou Michael Shifter, chefe do centro de pesquisas Inter-American Dialogue, de Washington.

— Mesmo que eles não tentem fazer outro referendo para mudar a Constituição, e Evo concorde em sair quieto no final de seu mandato, o MAS certamente não sairá quieto... é coisa certa que eles fariam qualquer coisa que pudessem para instalar um sucessor a seu gosto.

Ex-plantador de coca, Morales disse que, caso perca o referendo, irá se retirar para sua fazenda após o final de seu atual mandato, mas jamais desistir da "luta".

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