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Tensão entre EUA e Irã pode transformar rotas globais do petróleo, diz especialista

Riscos devem acelerar a busca por novas rotas de exportação e reduzir a dependência do estreito de Ormuz

Internacional|Do R7, com RECORD NEWS

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A tensão entre EUA e Irã pode acelerar a busca por rotas alternativas ao Estreito de Ormuz para o transporte de petróleo.
  • O fracasso do memorando de entendimento entre Washington e Teerã destaca dificuldades na resolução do conflito.
  • Possível ampliação da presença militar dos EUA na região enfrenta desafios políticos e operacionais.
  • Instabilidade no Golfo pode transformar permanentemente a logística de exportação de petróleo e gás da região.

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O aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã reacendeu as preocupações sobre a segurança do transporte de petróleo no Oriente Médio e pode acelerar a busca por rotas alternativas ao estreito de Ormuz, uma das principais vias de escoamento de petróleo e gás do mundo. O tema foi analisado por Vitelio Brustolin, professor de Relações Internacionais da UFF (Universidade Federal Fluminense).

Segundo o especialista, a violação do memorando de entendimento assinado entre Washington e Teerã no último mês não representa uma novidade no histórico da região. “Desde o início, todos os movimentos de cessar-fogo que tiveram entre Estados Unidos, Irã, Israel e Hezbollah, no Líbano, foram violados”, afirmou.


Um navio cargueiro grande, colorido, está ancorado no mar, carregado de contêineres em várias cores. Perto dele, uma embarcação menor, de madeira, navega tranquilamente nas águas azuis. O céu está claro, com algumas nuvens dispersas, criando um cenário sereno e marítimo.
Movimentação de navios no estreito de Ormuz Reprodução/Record News

Para Brustolin, o fracasso do acordo evidencia as dificuldades para uma solução do conflito. “O memorando de entendimento não vale nada, então, na verdade, nós estamos vendo mais do mesmo. De qualquer forma, esse memorando deveria levar a uma negociação sobre o acordo nuclear do Irã. Inicialmente, também deveriam estar incluídos o programa de mísseis do Irã, o financiamento a grupos considerados terroristas, e nada disso foi tratado. Não há indícios de que essas negociações irão avançar”, disse.

O professor avalia ainda que uma possível tentativa de ampliar a presença militar dos Estados Unidos na região enfrenta desafios políticos e operacionais. Apesar das perdas sofridas pelas Forças Armadas iranianas, uma operação terrestre de grande porte exigiria uma margem política que o governo americano dificilmente conseguiria. “Seria difícil ele fazer isso, inclusive porque nem os republicanos apoiariam uma operação dessas, nem no Congresso ele teria esse apoio. E ele precisa da autorização do Congresso para uma operação desse porte”, afirmou.


Ao mesmo tempo, os riscos para o mercado global de petróleo permanecem no centro das atenções. Na avaliação do especialista, o cenário atual pode provocar mudanças duradouras na logística de exportação de petróleo e gás da região. “É provável que boa parte do petróleo e do gás natural da região passe a ser escoada por outras vias”, disse.

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Entre as alternativas já disponíveis, Brustolin cita a infraestrutura desenvolvida pela Arábia Saudita para reduzir a dependência do estreito de Ormuz. A tendência, segundo ele, é que outros países do Golfo também procurem alternativas para diminuir sua vulnerabilidade. “É possível que os países procurem uma solução para não depender mais daquela rota ali e não ficarem reféns de ações do Irã no futuro”, afirmou.


O risco surge porque, mesmo sem bloquear completamente o estreito, o Irã tem capacidade de gerar insegurança suficiente para comprometer o fluxo comercial de petróleo. “O Irã pode pressionar esporadicamente, e aí o cálculo que tem sido feito pelos Estados Unidos é esse: ‘Olha, se vocês atacarem os petroleiros, nós vamos atacar a infraestrutura de vocês’”, explicou.

Brustolin ainda destaca que os países árabes acompanham a situação com cautela. Embora alguns já tenham sido atingidos por ações iranianas, há receio de um envolvimento direto na guerra. “Esses países têm medo de que os Estados Unidos se retirem em algum momento e que o Trump declare vitória, especialmente por conta das eleições de meio de mandato, e a guerra fica como herança dos países da região contra o Irã”.


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Na avaliação do professor, a instabilidade prolongada no Golfo pode transformar de forma permanente a rede de abastecimento energético da região, acelerando investimentos em rotas que reduzam a dependência do estreito de Ormuz, considerado estratégico para o abastecimento mundial de petróleo.

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