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Nobel da Paz, Yunus exalta papel "inovador" do cidadão para superar pobreza

Internacional|Do R7

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Laura Barros. Bogotá, 29 nov (EFE).- O vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 2006, Muhammad Yunus, afirmou nesta sexta-feira que considera importante o papel exercido pelos cidadãos e suas ideias inovadoras para complementar o trabalho do governo na luta contra a pobreza. Em entrevista à Agência Colômbia.inn, operada pela Efe, o economista bengalês, que está em visita a Bogotá, destacou a necessidade de que os negócios sociais e os tecnológicos se complementem para impulsionar o desenvolvimento dos países. "A tecnologia tem um papel muito importante, mas o papel dos cidadãos, de serem inovadores e trazerem ideias, é ainda mais importante", disse Yunus, ao ser perguntado sobre o papel do empreendimento baseado na tecnologia perante sua colocação sobre negócios sociais. Segundo o economista, é preciso haver uma "combinação" entre o empreendimento tecnológico e as iniciativas sociais. Para ele, o governo "tem que ter um papel de facilitador" para chegar a esta combinação ao remover "qualquer barreira legal" que possa obstruir o desenvolvimento destas iniciativas. "Uma forma é aumentar a banda larga e levar conectividade às regiões remotas a um baixo custo ou sem custo. É importante que esses serviços sejam disponibilizados para a população. Assim, quando surgir uma ideia criativa ela poderá ser realizada e levada por esta mesma conectividade que tenham implementado para ter negócios sociais em educação, saúde e em outras áreas", sustentou. Yunus considerou "muito importante" as políticas e programas governamentais para atender a pobreza, mas insistiu que "o papel tem que ser dos cidadãos". "Eles (os cidadãos) têm que ser muito ativos. O governo sozinho não pode resolver os problemas. O governo dá dinheiro para caridade, mas isto não é suficiente para erradicar a pobreza", acrescentou. Segundo ele, as pessoas devem acompanhar e tornar "realidade" iniciativas como a entrega de microcréditos para os setores menos favorecidos. Yunus pediu ao governo que se trace "um marco legal para que estas opções" sejam bem-sucedidas. Sua proposta é dar oportunidade para os cidadãos criarem "negócios sociais", que descreveu como "empresas para solucionar problemas". "Os cidadãos podem motivar a realização deste tipo de empresa. Elas podem ter um grande impacto (...) para reduzir a pobreza, diminuir os níveis de desemprego, melhorar o meio ambiente entre outras coisas e o governo tem que ter um papel de apoio", especificou. Mais tarde, ao participar do fórum "Estratégias inovadoras para aliviar a pobreza", organizado pela revista "Semana", Yunus falou da experiência do Banco Grameen, o primeiro banco do mundo especializado em microcrédito e criado por ele. O Nobel explicou como conseguiu mudar a vida dos moradores de uma cidade ao dar créditos por pequenos montantes. "Hoje esse banco tem 8,5 milhões de clientes, quase todos são mulheres, 97% são mulheres. Eles são os donos do banco", assegurou em seu discurso. Yunus destacou que nem ele nem o governo são donos do banco, mas que emprestam o dinheiro. Por ano, são dados créditos de US$ 1,5 bilhões. Contudo, ressaltou que nos casos de filantropia e caridade para ajudar aos pobres, o investimento "não retorna". "Alguém pode criar um negócio social, dessa maneira que o investimento retorna para fazer o mesmo novamente: o dinheiro sai, há o trabalho e ele retorna. O mandamos novamente para que o mesmo dinheiro possa ser utilizado mais uma vez", explicou. Trata-se de uma espécie de economia em círculo. Por outro lado, Yunus considerou que é possível "criar um mundo onde não exista uma só pessoa que seja pobre". Para ele "a pobreza não é de uma pessoa, não é parte dele ou dela. A pobreza é algo imposto". Para acabar com esta situação, ele sugeriu "colocar as ideias em ação". "Tudo o que temos que fazer é fazer algo pequeno, mas sempre pensar grande", finalizou. EFE lb/cdr-rsd (foto)

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