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Número de vítimas de atentado em reduto do Hezbollah sobe para 22

Ataque de ontem foi o pior registrado no Líbano em três décadas

Internacional|Do R7

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O atentado com carro-bomba aconteceu em Roueiss, uma área popular do subúrbio xiita
O atentado com carro-bomba aconteceu em Roueiss, uma área popular do subúrbio xiita

Pelo menos 22 pessoas morreram na quinta-feira (15) no pior atentado registrado no Líbano em três décadas, em um bairro do sul de Beirute, reduto do Hezbollah xiita, aliado do regime sírio, segundo um balanço atualizado.

A forte explosão, reivindicada por um pequeno grupo que afirma integrar a rebelião síria, desafia o líder do movimento xiita, Hassan Nasrallah, que havia anunciado a adoção de medidas para evitar um segundo atentado depois do que aconteceu em 9 de novembro no mesmo bairro.


De acordo com a Cruz Vermelha Libanesa, o ataque também deixou 325 pessoas feridas.

A agência nacional de informação informou que sete pessoas, entre elas um homem e os três filhos, permanecem desaparecidas.


O atentado com carro-bomba aconteceu em Roueiss, uma área popular do subúrbio xiita.

Os investigadores trabalhavam nesta sexta-feira (16) na área da explosão, que foi isolada por integrantes do Hezbollah.


Os membros do movimento, com roupas civis, também inspecionavam os carros em outras áreas da zona sul da capital.

O Hezbollah, um sólido aliado do regime de Assad e que combate há meses os rebeldes na Síria, virou um alvo militar dos insurgentes sírios, em sua maioria sunitas.


Um pequeno grupo desconhecido, de tendência sunita, As Companhias de Aisha Um el Muminin (nome da esposa favorita de Maomé), reivindicou o atentado em um vídeo.

"Hassan Nasrallah, nós lhe enviamos nossa segunda forte mensagem, porque você continua sem entender", declarou um homem encapuzado, ao ler um texto ao lado de dois companheiros armados.

Esse foi o segundo atentado em seis semanas registrado nos setores populares de Bir el-Abed e de Roueiss.

Em 9 de julho, um carro-bomba já havia sido detonado, deixando mais de 50 feridos. Uma organização síria também desconhecida, a Brigada 313, assumiu o atentado. Segundo o grupo, o ataque ocorreu em represália à participação do Hezbollah no conflito na Síria.

Marcas israelenses

O presidente da República libanesa, Michel Sleimane, condenou o atentado "terrorista", "criminoso" e "covarde", que apresenta, segundo ele, "as marcas de Israel", inimigo do Hezbollah.

O presidente israelense Shimon Peres rebateu as acusações.

"Me surpreende que o presidente libanês tenha afirmado mais uma vez que Israel é responsável. Por que olha para o lado de Israel, quando Hezbollah quebra os ossos do Líbano e mata as pessoas na Síria sem a aprovação do governo libanês?", questionou Peres.

O analista e especialista em Hezbollah, Waddah Charara, do Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), também mencionou Israel.

"Esse atentado faz parte da guerra travada entre Israel e o movimento xiita, e que se traduziu, recentemente, na incursão de soldados israelenses no território libanês", afirmou, acrescentando que "o Estado hebreu e o Hezbollah trocam, atualmente, mensagens explosivas".

Em uma entrevista na quarta-feira ao canal Al-Mayadeen, o chefe do Hezbollah reivindicou a autoria de duas explosões, em 7 de agosto, que deixaram quatro soldados israelenses feridos. Ele disse ainda que seu partido "enfrentará" qualquer nova violação por parte de Israel.

O primeiro-ministro Najib Mikati decretou luto nacional nesta sexta-feira, enquanto o ex-chefe do governo Saad Hariri, rival do Hezbollah, também condenou "essa explosão terrorista", que tem como objetivo "semear a discórdia no Líbano".

Este país vizinho da Síria está profundamente dividido entre os partidários do regime sírio, liderados pelo Hezbollah, e os opositores a Bashar al Assad, liderados por Hariri. As divisões sobre a Síria aumentaram as tensões religiosas entre as comunidades xiitas e sunitas no país.

Em Nova York, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, e o Conselho de Segurança condenaram o atentado.

O secretário-geral pediu "unidade" aos libaneses e o Conselho de Segurança que se "abstenham de um envolvimento na crise síria".

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