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OAB pede mudanças em política de segurança nas favelas do Rio

Internacional|Do R7

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Rio de Janeiro, 7 out (EFE).- Vários grupos sociais pediram nesta segunda-feira em um ato realizado na sede do Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) mudanças na política de segurança do governo do Rio de Janeiro para as favelas depois das denúncias de torturas cometidas por policiais das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP). "A política de segurança pública atual não pode conviver com um regime democrático", disse o presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB, Wadih Damous, que qualificou de "inaceitável" a violência policial denunciada nas favelas em que foram instaladas as UPPs. As mudanças também foram denunciadas por representantes de grupos como a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e a União Nacional dos Estudantes (UNE). Para o bispo auxiliar do Rio de Janeiro, Antonio Augusto Dias Duarte, por exemplo, "a violência é o fracasso do diálogo". A política de segurança nas comunidades prevê a instalação de quartéis da polícia em comunidades que antes eram controladas por grupos armados e que foram retomadas em operações que contaram com apoio de soldados e veículos blindados das Forças Armadas. O governo estadual instalou até agora 34 UPPs nas favelas e prevê recuperar todas antes dos Jogos Olímpicos que o Rio de Janeiro sediará em 2016. O governo estadual informou hoje em comunicado que as atuais UPP já atendem a mais de um milhão e meio de pessoas nas favelas, número que aumentará quando forem instaladas duas unidades no complexo do Lins, ocupadas pela polícia e pelo exército no domingo. O ato aconteceu dois dias depois de o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, confirmar que manterá seu plano de segurança nas favelas apesar das denúncias sobre torturas cometidas por policiais na Rocinha. Segundo relatório divulgado na sexta-feira pela Polícia Civil, 22 moradores da Rocinha denunciaram terem sofrido "torturas" nos últimos seis meses em interrogatórios realizados na sede da UPP da comunidade. De acordo com o relatório, os policiais batiam nos interrogados, davam choques elétricos, tinham a cabeça coberta por sacos plásticos e eram forçados a ingerir cera líquida para revelar informações sobre traficantes de drogas. A divulgação do relatório coincidiu com a detenção de dez policiais acusados do desaparecimento em julho do pedreiro Amarildo de Souza, logo após ser interrogado na UPP da Rocinha. Nesse sentido, o presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB pediu a "desmilitarização da PM", porque, segundo ele, a sociedade "não pode aceitar dois tipos polícia e muito menos uma polícia comandada pelo exército, porque as UPPs foram planejadas para superar o confronto e agora se transformaram em forças de ocupação". EFE aag/cd-rsd

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