Obama decide atacar Síria, mas buscará a autorização do Congresso
Internacional|Do R7
Miriam Burgués. Washington, 31 ago (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou neste sábado sua decisão de atacar a Síria em represália pelo uso de armas químicas nos conflitos, algo que considera provado, mas esclareceu que buscará a autorização do Congresso, o que afasta a perspectiva de uma ação imediata. "Após uma deliberação cuidadosa decidi que os Estados Unidos devem realizar uma ação militar contra alvos militares do regime sírio", disse Obama em um pronunciamento no Jardim da Casa Branca acompanhado de seu vice-presidente, Joe Biden. De acordo com funcionários da Casa Branca, Obama tinha decidido a princípio realizar a ação militar sem buscar a autorização do Congresso, mas na noite da sexta-feira mudou de opinião após ter longas conversas com sua equipe de segurança nacional. "Estamos preparados para atacar quando decidirmos", ressaltou o presidente, que considera certo que o regime de Bashar al Assad foi o responsável pelo ataque com armas químicas no último dia 21 na periferia de Damasco, e que a intenção dessa ação limitada é castigá-lo por isso. Obama sustentou que a operação militar vai acontecer quando os Estados Unidos quiserem, o que pode acontecer em um dia ou um mês, porque as Forças Armadas estão com um desdobramento de vários destróieres na região. Ele fez uma reflexão ao justificar a decisão de consultar o Congresso. "estou consciente de que sou o presidente da democracia constitucional mais antiga do mundo", indicou. E por isso, "embora tenha autoridade para realizar esta ação militar sem uma autorização específica do Congresso, sei que o país será mais forte se tomamos essa medida e nossas ações serão inclusive mais eficazes". O presidente americano busca assim mais legitimidade e o maior apoio doméstico possível, mas também assume um risco político alto levando em conta a polarização no Congresso, atualmente controlado pelos republicanos. O que não ficou claro é se a ação militar está necessariamente vinculada à aprovação. "Somos os Estados Unidos e não podemos e não devemos fechar os olhos ao que ocorreu em Damasco", ressaltou, contundente, Obama em referência ao ataque que denominou de o pior do século XXI e um "ataque à dignidade humana". Obama lançou uma pergunta ao Congresso e à comunidade internacional: "Que mensagem iremos enviar se um ditador pode atacar com gás mortal centenas de crianças em plena luz do dia sem pagar nenhum preço por isso?". Além disso, Obama afirmou que se sente "confortável" com a decisão de atacar Síria apesar de não contar com a aprovação do Conselho de Segurança da ONU, que para ele esteve até agora "completamente paralisado e pouco disposto" a fazer com que Assad responda por seus crimes. Da mesma forma que fez na sexta-feira, Obama reiterou hoje que a ação militar na Síria estará desenhada para ser "limitada em duração e alcance", e em nenhum caso implicará o envio de tropas. "Sei muito bem que estamos cansados de guerra", admitiu ao se dirigir aos cidadãos americanos e lembrar a Guerra do Iraque, recém encerrada, e do conflito ainda em andamento no Afeganistão. A maioria dos líderes do Congresso, incluídos os republicanos, receberam com satisfação a decisão de Obama de buscar o aval do Legislativo. "Segundo a Constituição, a responsabilidade de declarar guerra é do Congresso. Nos satisfaz que o presidente esteja buscando autorização para qualquer ação militar na Síria", diz um comunicado assinado, entre outros, pelo presidente da Câmara dos Deputados, o republicano John Boehner. Após consultar o presidente, "esperamos que a Câmara dos Deputados considere uma medida na semana do 9 de setembro", reforça o comunicado. A data marca o retorno dos congressistas depois do recesso de verão. Não se descarta que o Senado seja convocado semana que vem para começar a discutir a intervenção militar. Assim que Obama anunciou a decisão de atacar a Síria, mais de 100 de pessoas se reuniram em frente à Casa Branca em rejeição a uma ação militar dos Estados Unidos no país árabe. EFE mb/cd (foto)











