Ocupação na Ilha de Bornéu explode em conflito com 14 mortos e 7 feridos
Internacional|Do R7
Manila, 1 mar (EFE).- Pelo menos 14 pessoas morreram e sete ficaram feridas nesta sexta-feira no confronto entre as forças de segurança da Malásia e os seguidores do sultão de Jolo que ocupavam um território malaio no estado de Sabah, na Ilha de Bornéu. O primeiro-ministro da Malásia, Najib Razak, confirmou o confronto a jornalistas, após várias horas de informações truncadas, e acrescentou que dois comandantes malaios morreram e outros três ficaram feridos, além de entre dez e 12 mortos do lado filipino. "Lamento muito o incidente, tínhamos tentado prevenir o derramamento de sangue e no fim aconteceu (...)", disse o dirigente, que disse ter ordenado à polícia que tomasse as ações necessárias. Em Lahad Datu, o distrito malaio onde ocorreu o conflito, o chefe da polícia, Hamza Taib, informou em entrevista coletiva a morte do 12º membro do exército real do sultão de Jolo, além dos dois comandantes citados. Os 12 mortos pertenciam ao grupo de 180 pessoas, 30 delas armadas, que na segunda semana de fevereiro ocuparam a aldeia de Tanduo em nome do sultão de Jolo, Jamalul Kiram III, e reivindicaram sua soberania. O irmão mais novo de Kiram III, o príncipe Azzimudie Kiram, comandava a invasão, segundo eles, pacífica. Em Manila, o porta-voz do Departamento de Relações Exteriores, Raúl Hernández, anunciou à imprensa as vítimas e o fim da ocupação. "O grupo de Kiram em Lahad Datu escapou e fugiu pelo mar. Dez deles se renderam", destacou Hernández, segundo as informações do embaixador malaio no país, Mohammad Zamri bin Mohammad Kassim. Nem Manila nem Kuala Lumpur revelaram a situação do príncipe filipino que dirigiu a ocupação. As últimas declarações do príncipe Azzimudie Kiram, via telefone, foram feitas pela manhã para denunciar a agressão das forças malaias e a morte de dez de seus homens. Abraham Idjirani, porta-voz do sultão de Jolo, denunciou o ataque nas Filipinas, assim como a princesa Jaycel Kiram. Jaycel reuniu a imprensa em Manila para acusar as forças de segurança malaias de abrir fogo apesar dos diálogos "formais e informais" dos últimos dois dias para conseguir um acordo pacífico. "Tivemos 14 vítimas, dez mortos e quatro feridos. Houve sangue", disse Jaycel, após falar com seu irmão Azzimudie. Por sua vez, o sultão de Jolo, que nas últimas semanas esteve muito ocupado apresentando reivindicações à imprensa internacional apesar de seus 74 anos, recriminou o presidente filipino, Benigno Aquino, de ficar ao lado da Malásia em vez de ajudar seus compatriotas. As forças de segurança da Malásia cercavam o grupo de ocupantes desde 12 de fevereiro e esperava a ordem de intervir, quando os canais diplomáticos se tornassem insuficientes. Kiram III e seu irmão mais novo em Tanduo insistiram desde o início que era uma ação pacífica, que buscavam negociar e sempre se negaram a cancelar a ocupação apesar dos apelos e até das ameaças das autoridades dos dois países, que viam as relações bilaterais. O último prazo dado pela Malásia terminou na terça-feira, embora o governo das Filipinas tenha pedido uma prorrogação de vários dias. O sultão de Jolo orquestrou a ação para atrair a atenção internacional sobre suas reivindicações para Sabah após compreender que essas ficaram de fora do acordo de paz alcançado entre o governo filipino e a Frente Moro de Libertação Islâmica (FMLI), a principal organização separatista das Filipinas, em outubro passado. O sultanato de Jolo, estabelecido no século XV, cedeu Sabah à Companhia Britânica do Bornéu do Norte em 1878 e o território foi incorporado à Malásia em 1963. Desde então, o governo malaio paga uma quantia simbólica aos descendentes do sultanato de Jolo, que chegou a abranger partes do sul das Filipinas e o nordeste do Bornéu e foi anexado em 1917 pelas Filipinas, então sob o domínio dos Estados Unidos. EFE jc/tr (foto)












