ONU aprova envio de missão de paz para República Centro-Africana
Internacional|Do R7
Nações Unidas, 10 abr (EFE).- O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou nesta quinta-feira por unanimidade uma resolução que autoriza o envio de uma missão de paz de 11.800 soldados e policiais para a República Centro-Africana (RCA). A medida, proposta pela França, prevê o desdobramento de uma força de manutenção da paz de 10.000 soldados e 1.800 policiais para tentar estabilizar o país, que sofre uma grave onda de violência e instabilidade há mais de um ano. O embaixador da França na ONU, Gérard Araud, afirmou após a votação que a questão fundamental agora é "levar os soldados ao teatro de operações o mais rápido possível". A República Centro-Africana conta atualmente com uma missão da União Africana (Misca), reforçada por dois mil soldados franceses, enquanto a União Europeia começou a enviar um contingente que totalizará 850 pessoas. A missão africana realizará a transferência de autoridade para a operação da ONU (Minusca) em 15 de setembro de 2014, e a nova missão terá um período inicial de um ano, até 30 de abril de 2015. A República Centro-Africana sofre desde dezembro do ano passado uma crise de violência protagonizada por milícias muçulmanas, partidárias do ex-grupo rebelde Seleka, e cristãs, denominadas Anti-Balaka. A coalizão Seleka, composta por quatro grupos rebeldes, pegou em armas no norte do país em dezembro de 2012 ao considerar que o então presidente, François Bozizé, não tinha respeitado os acordos de paz assinados em 2007. A capital, Bangui, foi tomada em março de 2013 pela então coalizão rebelde, que assumiu o poder no país após a fuga do deposto Bozizé. No final do ano passado, as milícias cristãs Anti-Balaka se levantaram contra os partidários do Seleka e a população muçulmana em geral, em represália pelos abusos cometidos pelos rebeldes durante os meses que estiveram no poder. Araud ressaltou que apesar do "trabalho considerável" da missão africana e das tropas francesas, "a situação continua sendo extremamente precária", o que levou ao governo francês a propor ao Conselho de Segurança a criação da missão. O envio da missão "é um passo importante" para pôr fim às atrocidades e aos abusos dos direitos humanos, afirmou por sua vez a embaixadora americana na ONU, Samantha Power, que retornou hoje mesmo de uma viagem pelo país, no qual comprovou "a urgência" de se aumentar a segurança na RCA. Segundo a ONU, a crise gerou 760 mil deslocados internos e mais de 300 mil (muitos deles muçulmanos) se refugiaram em países vizinhos, o que por sua vez causou problemas em países como Chade, Camarões e República Democrática do Congo. EFE rcf/dk












