ONU destaca importância crescente do Sul emergente
Internacional|Do R7
Alberto Cabezas. México, 14 mar (EFE).- A ONU chamou a atenção nesta quinta-feira sobre a importância cada vez maior dos países do Sul, particularmente os emergentes, no desenvolvimento e no protagonismo que devem assumir nos próximos anos diante de problemas como a luta contra a desigualdade, as mudanças climáticas e a pobreza. Esse foi o discurso da administradora do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), Helen Clark, ao apresentar na capital mexicana o Relatório sobre Desenvolvimento Humano elaborado este ano por essa agência da ONU. "A verdadeira história, após este relatório, é a do aumento da importância dos países em desenvolvimento, suas transformações. É uma 'mudança tectônica' ver países e regiões emergentes agora com uma carga maior no crescimento global", disse Helen em entrevista coletiva. A agência das Nações Unidas escolheu o México para o lançamento do relatório pelo fato de o país ser um dos protagonistas do documento, que leva o título "A ascensão do Sul: o progresso humano em um mundo diverso". A ONU sustenta que em um cenário de desaceleração econômica mundial é preciso voltar os olhos para os países que nos últimos anos elevaram seus padrões de desenvolvimento humano e crescimento como Índia, China, Brasil, México, Turquia, Indonésia, África do Sul, Bangladesh, Chile, Gana, Ilhas Maurício, Ruanda, Tailândia e Tunísia. "A mensagem do relatório é que os países que cresceram mais rápido, em termos econômicos e de desenvolvimento humano, foram aqueles que adotaram o que chamamos de um estilo de desenvolvimento pró-ativo", disse Helen. O Relatório de 2012 contém, além disso, outra mensagem para os países mais industrializados. "A prosperidade de todos está muito inter-relacionada", enquanto eles "envelhecem e não estão crescendo" tanto como antes, a "grande oportunidade está na América Latina, Ásia e África". Apesar dos avanços, os desafios continuam sendo muito grandes, e entre eles o Pnud destaca a desigualdade, especialmente na América Latina, com a maior do mundo, e a degradação ambiental. O diretor-geral do Escritório para a América Latina e o Caribe do Pnud, o chileno Heraldo Muñoz, ressaltou que falar hoje do Sul é muito diferente de como se fazia nos anos 1970, quando se pensava em um confronto Norte-Sul e se buscava um "diálogo Norte-Sul". Muñoz lembrou que ao se referir à ascensão do Sul, "estamos falando de pelo menos 40 países do mundo que atingiram níveis de desenvolvimento humano de enorme significado para sua população e que cada vez têm um peso maior na economia global". O analista chileno considera que este crescimento incipiente "é um dos feitos mais importantes do novo cenário mundial e talvez seja sintomático que o novo papa (Francisco) venha justamente do Sul". Helen Clark também destacou hoje o enorme "simbolismo" que tem o fato de o novo papa - o cardeal Jorge Mario Bergoglio - vir de um país do Sul como a Argentina. "Sinto que é tão simbólico. Isto ocorreu no momento em que estamos lançando este relatório", disse Helen à Agência Efe. Apesar da ênfase nos países menos desenvolvidos e emergentes, o coordenador do relatório - o paquistanês Khalid Malik - explicou que o estudo "também fala da Europa e da crise". O analista explicou que é necessário que os países em recessão e em desaceleração econômica entendam que as políticas de austeridade não bastam, pois "as medidas de curto prazo têm consequências no longo prazo". EFE act/rpr (foto)











