ONU pede mais atenção, dinheiro e soldados para crise centro-africana
Internacional|Do R7
Genebra, 7 mar (EFE).- A secretária-geral adjunta das Nações Unidas para Assuntos Humanitários, Valerie Amos, pediu nesta sexta-feira à comunidade internacional mais atenção, mais dinheiro e mais soldados para enfrentar a crise na República Centro-Africana. "O país está destruído, não há instituições públicas, é preciso reconstruir o sistema administrativo, judicial, os cofres estão vazios, a insegurança é crescente e acontecem ataques étnicos diariamente, é preciso atuar imediatamente", afirmou Amos em entrevista coletiva. A alta funcionária afirmou que 2,5 milhões de pessoas, mais da metade da população de 4,6 milhões do país, necessita ajuda humanitária, mas a maioria não recebe por causa da insegurança crescente. Desde dezembro do 2013, a violência forçou o deslocamento de quase 1 milhão de pessoas, dos quais 700 mil são deslocados internos, 232 mil só na capital, Bangui. Cerca de 300 mil fugiram e se refugiam em países vizinhos, especialmente no Chade e em Camarões. Os refugiados fogem da onda de violência sectária que o país vive desde que em dezembro passado começaram os enfrentamentos entre partidários muçulmanos do ex-grupo rebelde Seleka e as milícias cristãs "Anti-Balaka". Segundo dados da ONU, desde essa data mais de 70 mil pessoas fugiram ao Chade, 62 mil à República Democrática do Congo, 28 mil a Camarões e 12 mil buscaram refúgio na República do Congo. Amos lembrou que a situação se deteriora dia a dia e citou o dito ontem em Nova York durante uma sessão do Conselho de Segurança da ONU para tratar a crise no país africano. No fórum, o Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, António Guterres, afirmou que a maioria dos muçulmanos foi deslocada para o oeste do país, onde milhares de civis estão em risco de morrer "diante de nossos olhos". "Desde dezembro vimos que existe uma verdadeira limpeza étnica da população muçulmana", lamentou Guterres. O alerta aconteceu enquanto o ministro das Relações Exteriores do país, Toussaint Kongo-Doudou, solicitou ao Conselho de Segurança que aprovasse urgentemente a formação e o envio de uma força de paz. EFE mh/tr










