Irã é o real vencedor da guerra no Oriente Médio, avalia especialista
Mesmo militarmente destruído, país ainda preserva estrutura nuclear e utiliza Ormuz para pressionar os EUA
Internacional|Do R7, com RECORD NEWS
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O Irã percebeu que o poderio militar norte-americano não é forte o suficiente para vencer o conflito no Oriente Médio, afirma o professor de relações internacionais Leonardo Trevisan. “O Irã percebeu com toda a clareza que quem precisa do fim da guerra agora são os Estados Unidos. O Trump quer chegar à eleição de 4 de novembro, primeiro de tudo, sem guerra”, pontua em entrevista ao Conexão Record News desta quarta-feira (12).
Com as eleições de meio de mandato próximas, o presidente norte-americano, Donald Trump, ainda não conseguiu encontrar uma solução para controlar o aumento da inflação. Segundo o especialista, o Irã está ciente da pressão interna e se utiliza disso para exigir condições para o fim da guerra, mesmo sendo militarmente mais fraco.

“De alguma forma, o comportamento americano é um comportamento baseado apenas na força. As coisas não são assim. Há um comportamento político, há uma situação, um plano, uma estratégia que precisava ter sido respeitada. Os Estados Unidos entraram nessa guerra sem nada disso, sem uma observação política e, principalmente, sem um plano estratégico. O resultado está aí.”
A guerra no Oriente Médio chegou a um novo impasse. Os EUA e os Houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, relataram ataques separados contra navios no Golfo de Omã e na entrada do Mar Vermelho. Os bombardeios provocaram um aumento de 1,4% nos preços do petróleo. De acordo com o principal responsável pela segurança do Irã, o estreito de Ormuz vai permanecer fechado, a menos que Washington aceite as condições para o fim da guerra.
Na análise de Trevisan, o real vencedor da guerra, mesmo militarmente destruído, é o Irã. “Não sou eu ou qualquer jornalista dizendo isso. Quem disse foi o diretor da CIA, John Radcliffe, com todas as letras: as informações que nós temos são de que o programa nuclear iraniano continua operante. Se eles quiserem enriquecer o urânio, eles voltam a enriquecer o urânio. Portanto, pela própria informação da CIA, os bombardeios não foram suficientes.”
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