Oposição obtém assento da Síria na Liga Árabe
Internacional|Do R7
A Coalizão Nacional da oposição síria obteve oficialmente nesta segunda-feira o assento para representar seu país na cúpula que a Liga Árabe realizará na próxima terça-feira em Doha, mas as divergências internas do principal grupo opositor minaram sua credibilidade.
Em Damasco, um civil morreu após a queda de um morteiro na praça dos Omíadas, no centro da capital, e um chefe do Exército Sírio Livre (ESL), o principal integrante da rebelião, coronel Riad Assad, ficou ferido em um atentado no leste da Síria.
A Liga Árabe aceitou um dos principais pedidos da oposição e atribuiu o assento da Síria, permitindo "decidir a forma de sua representação na cúpula" de Doha, segundo um funcionário de alto escalão da organização.
O chefe demissionário da oposição, Ahmed Moaz Al-Khatib, chegou nesta segunda-feira à noite a Doha para liderar a delegação opositora na cúpula.
Ele anunciou no domingo a sua renúncia, para a surpresa geral.
Os Estados Unidos continuarão a apoiar a oposição, apesar da renúncia "corajosa" de seu líder, declarou um porta-voz da Casa Branca nesta segunda.
A Liga Árabe suspendeu a participação do regime do presidente Bashar al-Assad em 2011, após o início da revolta popular que se transformou em guerra civil diante da repressão.
A imprensa de Damasco criticou esta decisão. "A Liga entregou o assento roubado da Síria a bandidos e assassinos", escrevia o jornal As Saura. "Os tambores da traição ressoam em Doha", anunciava a televisão oficial Al-Ijbariya.
A Coalizão Nacional opositora anunciou no domingo que havia recebido um convite para participar da cúpula de Doha, onde estará representada pelo primeiro-ministro Ghassan Hitto, encarregado de formar governo no dia 18 de março para administrar os territórios sob controle rebelde na Síria.
Mas, segundo o representante da Coalizão no Qatar, Nizar Haraki, Khatib presidirá a delegação síria que contará com oito membros, entre eles Hitto.
Opositores explicaram que a renúncia de Khatib ainda não foi aceita e um deles, Ahmad Ramadan, realizou intensas pressões para que reconsidere sua decisão.
O primeiro-ministro do Qatar, principal sócio da oposição, Hamad ben Jasen al Thani, pediu publicamente para que reconsiderasse sua decisão.
Ao anunciar sua renúncia, Khatib criticou a sociedade internacional por sua falta de ação diante do conflito na Síria que deixou dezenas de milhares de mortos e acusou os países que apoiam a oposição de "tentar controlar a revolta".
Segundo um opositor sírio, Khatib critica especialmente o Qatar por ter imposto a eleição de Hitto, apoiado pela Irmandade Muçulmana, contra Imad Mustapha, outro candidato defendido por Riad.
No terreno, um civil morreu e outros seis ficaram feridos pelos morteiros que os rebeldes dispararam contra a praça dos Omíadas em Damasco, segundo os meios de comunicação oficiais.
Nas últimas semanas, os disparos se intensificaram sobre Damasco, reduto do regime, onde as suas tropas tentam neutralizar os rebeldes da periferia e impedir o avanço dos combatentes em direção à capital.
Em Deir Ezzor (leste), o coronel Riad Asaad, um comandante do ESL, ficou ferido no domingo pela explosão de uma bomba quando circulava de carro e foi levado à Turquia para ser tratado.
Riad Asaad foi um dos primeiros oficiais superiores do Exército a se unir à rebelião, em julho de 2011.
No noroeste da Síria, um avião civil foi atingido por disparos de baterias antiaéreas quando sobrevoava a região de Idleb, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).
Os rebeldes sírios que combatem o regime do presidente Bashar al-Assad fecharam nesta segunda-feira os dois únicos postos fronteiriços com a Jordânia, afirmou um porta-voz do Exército jordaniano.
Diante da degradação do cenário, a Organização das Nações Unidas anunciou a evacuação da metade de seus 100 empregados estrangeiros que ainda trabalham na Síria devido aos crescentes riscos, segundo diplomatas em Nova York.
O escritório com sede em Damasco do emissário da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Lakhdar Brahimi, será fechado e transferido para o Cairo ou Líbano, disseram estes diplomatas à AFP.
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