Terra geoide: entenda formato do planeta apresentado pela Nasa após 1 bilhão de medições
Modelo é representação da superfície que os oceanos assumiriam se fossem influenciados apenas pela gravidade da Terra
Internacional|Do R7
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A Nasa divulgou uma nova visualização interativa em 3D do geoide terrestre, uma representação da superfície que os oceanos assumiriam se estivessem em completo equilíbrio e fossem influenciados apenas pela gravidade da Terra. O modelo foi desenvolvido pelo Scientific Visualization Studio, departamento da agência espacial americana dedicado à criação de ilustrações científicas.
Para facilitar a observação das diferenças, os pesquisadores ampliaram artificialmente em 10 mil vezes as variações do geoide. Em tamanho real, essas alterações são pequenas, mas revelam que a superfície de referência do planeta não é totalmente uniforme.
As maiores diferenças aparecem em regiões como a Islândia, onde o geoide fica cerca de 85 metros acima do nível de referência, e o sul da Índia, onde chega a aproximadamente 106 metros abaixo desse padrão.
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O Brasil teve participação na validação do modelo. Os cientistas compararam os resultados obtidos pela Nasa com dados de nivelamento por GNSS fornecidos pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Apesar de sua aparência cheia de ondulações, o geoide não representa montanhas, vales ou outras formas do relevo terrestre. Ele mostra as variações do campo gravitacional do planeta. Isso ocorre porque a massa da Terra não está distribuída de maneira uniforme: diferenças na composição e na estrutura interna fazem com que a gravidade seja mais intensa em algumas regiões e mais fraca em outras, alterando a posição dessa superfície imaginária.
O geoide também funciona como uma referência essencial para medir altitudes. É a partir dele que são definidos padrões como o nível do mar e as elevações oficiais utilizadas em mapas, obras de engenharia e estudos científicos.
A construção do modelo pela Nasa foi baseada no GOCO06s, um dos modelos mais detalhados já produzidos para representar o campo gravitacional da Terra. O sistema faz parte do projeto GOCO (Gravity Observation Combination), que reúne pesquisadores e instituições da Áustria, Alemanha e Suíça.
O GOCO06s combina mais de 1 bilhão de medições realizadas ao longo de aproximadamente 15 anos por 19 satélites. Entre os principais dados utilizados estão informações das missões GRACE, desenvolvida pela Nasa em parceria com o Centro Aeroespacial Alemão (DLR), e GOCE, da Agência Espacial Europeia (ESA).
As duas missões contribuíram de formas diferentes para o estudo da gravidade terrestre. Os satélites GRACE identificaram mudanças gravitacionais por meio de pequenas alterações na distância entre duas espaçonaves em órbita. Já o satélite GOCE utilizou um equipamento chamado gradiômetro, capaz de medir variações extremamente pequenas no campo gravitacional.
O modelo também incorpora dados obtidos por rastreamento de satélites a laser e pelo acompanhamento de órbitas de outros satélites de baixa altitude. A combinação dessas diferentes fontes permitiu criar uma representação mais precisa da gravidade terrestre, incluindo características permanentes e mudanças que ocorrem ao longo do tempo.
Além de contribuir para o conhecimento sobre a estrutura do planeta, modelos como o GOCO06s são utilizados em estudos sobre oceanos, movimentos das placas tectônicas e sistemas de referência de altitude. Eles também ajudam diferentes países a estabelecer padrões mais compatíveis para medições de altura, tornando comparações globais mais precisas.
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