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Japão vai mudar de capital? Entenda o plano aprovado pelo país em casos de desastres

Medida prevê que parte das funções administrativas do governo seja transferida para outro centro urbano

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O Parlamento japonês aprovou um plano para criar um novo centro administrativo para emergências, caso Tóquio seja afetada por desastres.
  • Osaka é a principal candidata para assumir parte das funções do governo, devido à sua infraestrutura e importância econômica.
  • O projeto inclui incentivos financeiros e tributários para descentralizar funções administrativas e atrair empresas para fora de Tóquio.
  • A decisão final sobre a nova capital será feita pela primeira-ministra Sanae Takaichi.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Tóquio é a cidade mais populosa no Japão Reprodução/Jezael Melgoza/Unsplash

O Parlamento do Japão aprovou uma proposta que busca estabelecer um novo centro administrativo capaz de assumir parte das funções do governo caso Tóquio seja afetada em casos de emergência. A iniciativa também pretende reduzir a forte concentração política e econômica na capital, que reúne grande parte das atividades do país.

A medida prevê que parte das funções administrativas do governo seja transferida para outro centro urbano, além da criação de incentivos para estimular empresas e investimentos fora da atual capital. De acordo com a Nikkei Asia, Osaka é apontada como a principal candidata para receber esse novo papel, devido ao seu peso econômico e à infraestrutura já existente.


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Apesar de ser um dos principais polos do Japão, Osaka enfrenta dificuldades para atrair e manter empresas. A região ocupa a segunda posição entre as maiores economias do país, atrás apenas de Tóquio, e possui uma rede estratégica de transportes, incluindo o Aeroporto Internacional de Kansai e conexões com o sistema ferroviário de alta velocidade.

No entanto, a força econômica acumulada por Tóquio continua sendo um obstáculo. Dados da Teikoku Databank citados pela Nikkei Asia mostram que, em 2025, o número de empresas que deixaram Osaka superou o total de companhias que se instalaram na província. Foram 226 saídas contra 149 chegadas, resultado que representa o 44º ano consecutivo de perda líquida de empresas na região. Entre as companhias que saíram, uma parcela significativa escolheu Tóquio como destino.


Para especialistas, o desafio vai além da criação de benefícios fiscais. À Nikkei Asia, Tomoya Mori, professor do Instituto de Pesquisa Econômica de Quioto, avalia que a expansão das redes de transporte e o avanço das tecnologias digitais facilitaram a concentração dos negócios na capital japonesa. Segundo ele, muitas empresas continuam considerando Tóquio o local mais vantajoso para manter suas sedes.

O projeto aprovado pelo Parlamento japonês prevê justamente o uso de incentivos financeiros e tributários para tentar mudar esse cenário. A proposta também inclui a instalação de órgãos públicos no novo centro administrativo, com o objetivo de distribuir melhor as funções nacionais.


Ainda assim, pesquisadores questionam se essas medidas serão suficientes para alterar uma tendência construída ao longo de décadas. À Nikkei Asia, Mori destaca que o crescimento da inteligência artificial pode reduzir a necessidade de grandes estruturas corporativas espalhadas pelo território, o que poderia reforçar a concentração das decisões em grandes centros.

Já para Yu Noda, professor da Universidade Doshisha, em Quioto, a descentralização é uma estratégia necessária para aumentar a segurança econômica do Japão. À Nikkei Asia, ele argumenta que a própria Tóquio depende de cadeias produtivas localizadas em outras regiões, especialmente setores industriais que fornecem componentes e recursos essenciais.


Além disso, para o especialista, uma segunda capital poderia estimular o desenvolvimento de áreas como tecnologia e manufatura e fortalecer regiões com capacidade de inovação.

A escolha definitiva da segunda capital ficará sob responsabilidade da primeira-ministra Sanae Takaichi. As cidades interessadas terão de apresentar propostas aprovadas por seus governos locais e demonstrar capacidade econômica, administrativa e populacional para receber estruturas do governo nacional.

Outras regiões japonesas também avaliam participar da disputa. Fukuoka busca atrair empresas com políticas de incentivo e destaca sua localização como vantagem estratégica, enquanto Nagoya aposta na proximidade com Tóquio e na forte presença industrial.

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