Otan anuncia suspensão de manobras e reuniões com a Rússia
Internacional|Do R7
Bruxelas, 5 mar (EFE).- O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, anunciou nesta quarta-feira a suspensão do planejamento da primeira missão militar conjunta com a Rússia e de reuniões militares ou civis com esse país, perante a escalada de tensão pela presença de soldados russos na região ucraniana da Crimeia. "Ao mesmo tempo, queremos manter a porta aberta ao diálogo político" com a Rússia através de embaixadores, assegurou Rasmussen após participar em reunião do Conselho OTAN-Rússia com o responsável russo na Aliança Atlântica, Aleksandr Grushko. O político dinamarquês deixou claro que a situação na Ucrânia tem "graves implicações" para a segurança e a estabilidade da zona euroatlântica, e deixou claro que a Rússia "segue violando a soberania e a integridade territorial" desse país, assim como seus compromissos internacionais. Por esse motivo, assegurou que "a Otan decidiu hoje dar alguns passos imediatos", como a suspensão do planejamento da primeira missão conjunta OTAN-Rússia, consistente na escolta de uma embarcação americana que participará do neutralização do arsenal químico sírio. Rasmussen insistiu que isto não afetará os planos de destruição dessas armas em si, mas a Rússia já não estará envolvida na escolta, como estava sendo planejado. Outra medida que a Otan adotou é suspender todas as reuniões com a Rússia em nível de pessoal civil ou militar, assim como "pôr em revisão toda a gama de cooperação OTAN-Rússia", um tema sobre o qual assegurou que os ministros das Relações Exteriores da Aliança "tomarão decisões no início de abril". "Estes passos enviam uma mensagem clara: as ações da Rússia têm consequências", enfatizou. E acrescentou: "Queremos deixar a porta aberta ao diálogo político", motivo pelo qual afirmou que a Otan está disposta a realizar reuniões de embaixadores como a do Conselho OTAN-Rússia mantida hoje. Rasmussen qualificou a reunião com o embaixador russo como "franca" e "importante", e lembrou que esse fórum entre as duas partes serve para "discussões sobre todos os assuntos, nos quais estamos de acordo ou não". "Como presidente do Conselho OTAN-Rússia, é meu dever defender os princípios nos quais se baseia nossa relação", comentou, acrescentando que "esses princípios fundamentais estão agora em jogo". Se referiu concretamente a "nosso compromisso conjunto de cumprir de boa fé nossas obrigações em virtude do direito internacional" e o de "abster-nos da ameaça ou o uso da força contra o outro, ou contra qualquer outro estado". Rasmussen confirmou também que a Otan intensificará seu acordo com a Ucrânia, reforçará sua cooperação para apoiar reformas democráticas e redobrará seus esforços para melhorar a capacidade militar ucraniana por meio de exercícios de formação conjuntos e sua inclusão em projetos multinacionais. "Corresponde aos ucranianos decidir sua futura relação com a Otan", disse, em resposta à possibilidade que a Ucrânia se incorpore como membro à Aliança Atlântica. A Otan decidiu em 2008 que a Ucrânia poderia entrar quando cumprisse os critérios necessários. Ramussen terá a chance de abordar esta ideia com o primeiro-ministro interino da Ucrânia, Arseni Yatseniuk, quando o receber amanhã em Bruxelas, onde o líder ucraniano participará da cúpula extraordinária de líderes da União Europeia para falar da situação em seu país. O dirigente aliado insistiu que através da diplomacia é possível conseguir uma solução política duradoura na Crimeia, e que, embora por uma parte a Otan suspenda "sua cooperação prática diária" com a Rússia, por outra "mantém aberto um canal para o diálogo político". EFE rja-mrn/rsd











