Países querem que Tribunal Internacional intervenha na Coreia do Norte
China impede possíveis sanções da ONU contra país acusado de crimes contra a humanidade
Internacional|Do R7, com Reuters

As potências do Ocidente e da Ásia vão começar essa semana a fazer pressão para que a Coreia do Norte seja responsabilizada por crimes contra a humanidade, mas admitem que suas chances de influenciar o país isolado são escassas.
As descobertas são baseadas em relatório da ONU divulgado em fevereiro com testemunhos de centenas de vítimas, desertores e testemunhas.
As potências exigem o fechamento de campos de prisioneiros políticos, que eles acreditam que contenham até 120 mil pessoas e a intervenção do Tribunal Penal Internacional.
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A China, alinhada ao regime norte-coreano, tem poder de veto no Conselho de Segurança da ONU que poderia emitir possíveis sanções contra a Coreia do Norte.
Funcionários da segurança da ditadura norte-coreana e possivelmente até o Líder Supremo Kim Jong-un deveriam enfrentar a justiça internacional por ordenar sistematicamente tortura, inanição e assassinatos comparáveis às atrocidades da era nazista, disseram investigadores da ONU, no mês passado.
Michael Kirby, um ex-juiz australiano que liderou a investigação independente, vai apresentar oficialmente o relatório ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, nesta segunda-feira (17).
O fórum, que pediu a investigação há um ano, vai decidir como lidar com a Coreia do norte, em uma sessão que se estenderá até 28 de março.
Pressão
Ativistas querem ação. A ativista da Human Rights Watch (organização internacional de defesa dos direitos humanos), Julie de Rivero, acredita que é difícil retaliar a Coreia do Norte, mas que alguma medida precisa ser tomada.
— O fato de que essas violações sejam agora consideradas um crime contra a humanidade, determina que a comunidade internacional assuma a responsabilidade e aja.
Roseann Rife, da Anistia Internacional, afirmou em comunicado que a comunidade internacional precisa "provar que está falando sério" e tomar providências em relação a Coreia do Norte.
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— É preciso um esforço concentrado para aumentar a pressão para que o governo da Coreia do Norte cuide dessas violações sistemáticas, graves e generalizadas aos direitos humanos.
O país já está na agenda da Assembleia Geral da ONU, mas o Conselho de Segurança tem focado até agora apenas em suas armas nucleares e na ameaça da sua proliferação, segundo Julie.
— Estamos defendendo que o Conselho de Segurança precisa lidar com os crimes na Coreia do Norte.
"Diálogo construtivo"
A China sofreu críticas pesadas no relatório por ter forçado refugiados norte-coreanos a retornarem para casa onde eles enfrentam uma possível perseguição.
O país tem defendido a Coreia do Norte no cenário internacional. Aliado também da Rússia, manteve-se neutro, entretanto, em relação à região da Crimeia que decide neste domingo (16) em referendo se será anexada à Rússia.
Os chineses negam acobertar perseguiçoes norte-coreanos. Dizem que buscam "o diálogo construtivo" na questão e que são contra a intromissão em assuntos internos de outros países, como defendeu o porta-voz do ministério do exterior chinês no mês passado.
— Levar questões de Direitos Humanos ao ICC (Tribunal Internacional Penal), não ajuda a melhorar as condições dos direitos humanos no país.
A China rejeita as conclusões do relatório e da determinação dos investigadores, com quem não aceitou se reunir ou permitir que entrassem na Coreia do Norte.











