Logo R7.com
RecordPlus

Paquistão assiste impotente ao segundo massacre de xiitas em um mês

Internacional|Do R7

  • Google News

P. Miranda. Islamabad, 17 fev (EFE).- Subiu neste domingo para 85 o número de mortos em um massacre sofrido ontem por membros da minoria xiita do Paquistão na cidade de Quetta, no oeste do país, onde há um mês houve um caso similar que custou a vida de 90 pessoas. No atentado de ontem, um suicida do grupo fundamentalista sunita Lashkar-e-Jangvi detonou uma tonelada de explosivos que estavam em um caminhão estacionado em um bairro de maioria xiita da capital da província do Baluchistão. A enorme explosão, que provocou o desmoronamento de um edifício no qual havia apartamentos, uma loja e uma escola de inglês, causou a morte de dezenas de pessoas e deixou cerca de 200 feridos, quase todos membros dessa confissão religiosa minoritária. "É vergonhoso, nada mudou desde o massacre de janeiro", denunciou à Agência Efe a presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos, Zohra Youssef, que afirmou que o episódio "não é um problema apenas dos xiitas, mas uma ameaça para todo o país". Com cerca de 40 milhões de xiitas, o Paquistão é o segundo país com mais membros deste ramo do islã no mundo, atrás apenas do Irã. Após o massacre de janeiro de 2012, houve fortes protestos dessa minoria, que conseguiu no Baluchistão forçar a anulação de poderes do governo regional e a transferência deles ao governador, que depende diretamente do governo nacional. O primeiro-ministro, Rajah Pervez Ashraf, se viu obrigado a entrar no assunto e anunciou o início de operações de segurança para capturar os terroristas. No entanto, após o atentado de ontem, até o atual governador da província, Zulfiqar Magsi, reconheceu em entrevista ao jornal "Dawn" que se sente impotente para acabar com casos violentos como este. "Há caos por toda parte, e o estado não parece ser efetivo", afirmou. A comunidade xiita de Quetta anunciou uma greve geral de três dias e pediu às autoridades para que ajam imediatamente contra os responsáveis pelos massacres sectárias. Um porta-voz do Partido Democrático Hazara - uma das legendas de representação da minoria xiita -, Qadir Ali, disse à Agência Efe que foi dado ao governo "um ultimato de 48 horas para que comece a prender os culpados". "Se não levarem a sério nossas reivindicações, começaremos protestos em frente ao Tribunal Superior do Baluchistão e dos escritórios das Nações Unidas", ameaçou Qadri. "As forças de segurança fracassaram. Os terroristas estão em Quetta", acrescentou um ex-senador e membro destacado da comunidade xiita, Fasieh Iqbal, que revelou que hoje se reunirão representantes de órgãos oficiais de segurança para decidir quais medidas serão tomadas. Embora durante 2012 tenha sido constatada uma redução do número de ataques terroristas no país como um todo, a violência contra a minoria xiita sofreu um grande aumento nos últimos meses, especialmente na província do Baluchistão. Segundo um relatório recente do Instituto Paquistanês de Estudos para a Paz, 537 pessoas morreram no ano passado em ataques contra minorias religiosas. Em 2013, já morreram cerca de 200 xiitas em atentados e ataques de grupos fundamentalistas sunitas em meio a impotência - e passividade - das forças de segurança. De acordo com analistas, ativistas de direitos humanos e membros da comunidade xiita, o Estado se serviu desses grupos radicais no Baluchistão para combater facções armadas nacionalistas sem se importar que os xiitas estivessem pagando o preço. EFE pmm/id (foto)

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.