Partido governante do Burundi obtém 77 das 100 cadeiras do parlamento
Internacional|Do R7
Bujumbura, 7 jul (EFE).- O partido governante do Burundi, o Conselho Nacional para a Defesa da Democracia (CNDD-FDD), ganhou as eleições legislativas após obter 77 das 100 cadeiras que compõem a Assembleia Nacional, informou nesta terça-feira a Comissão Eleitoral Independente (Ceni). No pleito, realizado em 29 de junho, a coalizão independente Abigenga-Amizero e'Abarundi (Os Independentes-Esperança dos Burundeses, em kirundi) teria obtido 21 cadeiras, e a outra formação opositora, Uprona, duas. Os resultados foram revelados um dia depois que os países que integram a Comunidade da África Oriental (EAC, em sua sigla em inglês) exigiram atrasar em duas semanas as eleições presidenciais do Burundi, até 30 de julho, perante a instabilidade política e social e a forte oposição de seu líder, Pierre Nkurunziza. Um total de 3,8 milhões de burundineses se registraram para as eleições legislativas, que contaram com uma participação de 74,32%, segundo as autoridades eleitorais do pequeno país africano, imerso em uma grave crise desde que Nkurunziza anunciou em abril que se apresentaria à reeleição para um terceiro mandato. O CNDD-FDD de Nkurunziza teria liderado os votos nas 17 províncias do país após obter 1.721.629 sufrágios dos 2.856.112 votos emitidos, e conseguir assim 60,28% dos candidatos, escolhidos diretamente em cada circunscrição. A coalizão Amizero e'Abarundi seguiria com 11,16% dos candidatos e 318.717 sufrágios, e depois Uprona, com 2,49% dos deputados e 71.189 votos. Das cem cadeiras do parlamento, 70 serão ocupadas por dirigentes da etnia hutu -maioria no partido governante- e 30 por tutsis, em uma câmara onde 75% dos deputados serão homens e 25% mulheres. O presidente da Ceni, Pierre Claver Ndayicariye, lembrou que a lei exige que o parlamento conte com uma distribuição de 60% das cadeiras para deputados hutu e 40% para os tutsi, junto a 30% para as mulheres. Claver disse que os "desequilíbrios" entre as cotas que surgiram das urnas e as estabelecidas pela Constituição deverão ser solucionadas pelo sistema de "cooptação". Assim, três deputadas hutu e 15 tutsi se somarão à Assembleia Nacional para completar as vagas necessárias para conseguir o equilíbrio étnico, junto a outros três parlamentares de etnia twa designados diretamente, o que elevará o número total de parlamentares a 121. A decisão de Nkurunziza de concorrer às eleições presidenciais para tentar um terceiro mandato é considerada ilegal pela oposição, já que a Constituição limita a dois os mandatos presidenciais. Porém, o partido governante e o próprio Tribunal Constitucional burundinês argumentaram que Nkurunziza foi designado para seu primeiro mandato pelo parlamento e não de forma direta, modalidade à qual faz referência a Carta Magna na hora de limitar o tempo na presidência. Apesar do aval judicial, as aspirações do chefe de Estado burundinês desencadearam uma onda de protestos nas quais morreram dezenas de pessoas e obrigaram cerca de 160 mil pessoas buscarem refúgio, segundo os últimos dados da ONU. Mediadores das Nações Unidas e da União Africana pediram o adiamento das eleições presidenciais, algo que é respaldado também por outras organizações internacionais e países como os Estados Unidos, França e Bélgica. EFE em-dgp/ff










