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Passos Coelho se prepara para mais 2 anos de desafios em Portugal

Internacional|Do R7

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Emilio Crespo. Lisboa, 22 jun (EFE).- Após dois anos no poder, o primeiro-ministro conservador, Pedro Passos Coelho, conseguiu que Portugal recuperasse a confiança nos mercados, mas, apesar do resgate financeiro, o país ainda parece longe de vencer a recessão e o desemprego. Passos Coelho realizou neste sábado um conselho extraordinário e informal de ministros para analisar os desafios da segunda parte de seu mandato, que se apresenta tão complicada quanto à primeira. O líder da oposição, o socialista Antonio José Seguro, qualificou de "pesadelo" os dois anos no poder dos conservadores e criticou o "sofrimento" causado ao país e a falta de resultados. Passos Coelho ganhou com maioria absoluta as eleições antecipadas de 5 de junho de 2011, logo depois do resgate, e, após escolher uma equipe de ministros de apenas 11 membros, anunciou 25 dias depois o programa de governo e suas primeiras e já drásticas medidas de austeridade. Privatização de empresas e ativos públicos, um imposto especial ao trabalho equivalente a metade do pagamento de Natal e múltiplos cortes foram os primeiros de seus vários anúncios de restrições orçamentárias, o último deles há menos de um mês, para cumprir as exigências do resgate. Essa foi a prioridade, destacada em muitos discursos, do primeiro-ministro que, após economizar mais de 7 bilhões de euros ao Estado (mais de 4% do PIB), finaliza agora o corte, antes de 2015, de outros 4,7 bilhões pactuados com a União Europeia (UE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Passos Coelho, que pensa em chegar a esse número principalmente com economias no número e no custo dos funcionários, das pensões e das verbas ministeriais, tem um objetivo não menos difícil que o de há dois anos para alcançar. A seu favor, o governo e os organismos financeiros, destacam a confiança que Portugal recuperou nos mercados financeiros, que põe a toda prova com leilões periódicos de dívida a juros considerados já razoáveis. O peso da dívida portuguesa, que já superou 123% do PIB, segue, no entanto, em aumento enquanto a economia continua, pelo terceiro ano consecutivo, em recessão, e cairá 2,3% este ano. Portugal não espera voltar ao crescimento até o final de 2014, dois anos depois do que o inicialmente previsto pelos analistas da UE e do FMI que planejaram o resgate de 78 bilhões de euros. A recessão e um desemprego quase duplicado nos anos de crise, que ronda os 18%, são os grandes fracassos que a oposição atribui a Passos Coelho, cujo consenso tácito com o Partido Socialista (PS) sobre o programa de resgate se rompeu no ano passado. O principal partido da oposição perdeu o poder nas eleições antecipadas de 2011 após negociar o resgate, mas agora, quando fez da renegociação e do fim da austeridade sua bandeira, volta a liderar as enquetes para os pleitos municipais de setembro. Os três pequenos partidos marxistas do Parlamento são ainda mais hostis e promoveram as muitas manifestações dos dois últimos anos, as de maior contestação social em quatro décadas de democracia portuguesa. Passos Coelho também está em pé de guerra com as centrais sindicais, a comunista CGTP e a socialista UGT e seus 1,2 milhões de filiados em um país de pouco mais dez milhões de habitantes, que convocaram a quarta greve geral para a próxima quinta-feira. Porém, o primeiro-ministro assegura que nem as críticas nem as pesquisas o desanimam e insiste que apenas um Estado sustentável e uma economia saneada tirarão Portugal da crise e lhe devolverão a soberania financeira. A UE e o FMI, que na segunda-feira iniciam outra avaliação das finanças lusas, foram condescendentes com os problemas de Portugal e suavizaram duas vezes suas metas de déficit além de ampliar, nesta semana, em sete anos os prazos de devolução do resgate. EFE ecs/rsd

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