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Pedaços da estátua de Lênin derrubada há dias em Kiev seguem sendo destruídos

Internacional|Do R7

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Virgínia Hebrero. Kiev, 14 dez (EFE).- A estátua de Lênin, derrubada por manifestantes radicais no centro de Kiev há seis dias continua no chão, onde pouco a pouco é reduzida a pedaços cada vez menores pela força de martelos. O monumento ao fundador da União Soviética está desde o último dia 8 junto ao alto pedestal que o sustentava, no boulevard central da Praça de Bessarábia, não longe do centro nervoso dos protestos de oposição, a Praça da Independência. As autoridades da capital não recolheram a estátua de mármore vermelho do líder comunista, que está rodeada por dezenas de opositores ou simples curiosos na busca de uma lembrança em forma de pedra. Ali, Boris e Vitali, dois homens de meia idade, batem sem cessar com martelos para fazer saltar pedaços de pedra que depois repartem entre quem os quiser, no meio das palavras de aprovação dos presentes. A estátua não tem rosto, já que a cabeça desapareceu pouco depois que um grupo de ativistas da oposição, com a ajuda de cabos de aço, conseguiu derrubá-la do pedestal. Também mal se distinguem os braços, e a figura de Lênin é irreconhecível, transformada em um tronco avermelhado, o mesmo da pedra com que se construiu o Mausoléu na Praça Vermelha de Moscou guarda o corpo embalsamado do dirigente bolchevique. Há poucos dias se soube que alguns fragmentos da estátua foram postos à venda em vários sites ucranianos por cerca de US$ 6,25 (cerca de R$ 14,50) o quilo como preço de partida. "Vendemos um fragmento do último Lênin de Kiev. O preço dos fragmentos de Lênin dependem do peso e da parte do corpo que se trate. A mão custa mil grivnas (R$ 280), um pedaço do braço são 750 (R$ 210)", rezava um dos anúncios, que ressaltava que a cabeça não tinha preço. No entanto, uma vez arrancadas as melhores peças, os pedaços que Boris e Vitali arrancam com brutalidade são repartidos gratuitamente entre quem passa por ali e demonstra interesse. A estátua, obra do escultor Sergei Merkurov, estava na Praça de Bessarábia desde dezembro de 1946 e, após sua derrubada, a polícia abriu uma investigação pelos distúrbios maciços, mas ninguém foi detido. O vandalismo foi condenado por alguns dirigentes da oposição e do palco montado na Praça da Independência, a popular cantora Ruslana, ganhadora do Eurovision 2004 e militante ativa nos atuais protestos pediu ao povo que "se abstenha de ações incivilizadas". "A estátua de Lênin não resolve nada e o que sua derrubada faz é complicar as negociações com outras forças políticas", disse a artista logo depois do fato. As pessoas ao redor da estátua caída não são mais do que uma parte das várias "atividades" que enchem as ruas do centro de Kiev e da Praça da Independência no calor do ambiente revolucionário que envolve os protestos. Por toda a avenida Kreschatik, a principal de Kiev e que leva à praça, o Euromaidan, como é conhecida, é constante a passagem de pessoas com bandeiras nacionais, europeias e dos partidos de oposição. No Maidan, a atividade é frenética entre as cada vez mais variadas tendas de campanha instaladas, com pessoas transportando lenha para as fogueiras, voluntários com a cruz vermelha distribuindo remédios e curativos a quem precisa, e "babushkas" (avós) repartindo comida e sanduíches. Também são constantes as participações musicais, desde cantores folk e pop no grande palco com a faixa "Por uma Ucrânia europeia", até um gaiteiro solitário que toca enquanto a seu lado marcha uma procissão de fiéis precedidos pela figura de uma Virgem e ícones religiosos. Homens e mulheres de todas as idades se reúnem em torno das fogueiras para beber chá, aliviados pela alta das temperaturas registradas nas últimas horas até os 0 graus, e ninguém parece ter pressa para ir, pelo menos até que alcancem seu objetivo: se aproximar da Europa e a renúncia do governo. EFE vh/cd-rsd (vídeo)

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