Petroleiras estão lucrando com a guerra contra o Irã. E isso virou uma dor de cabeça para Trump
Disparada dos preços da energia impulsionou os ganhos das maiores empresas do setor, mas elevou os custos para os americanos
Internacional|Anna Cooban, da CNN Internacional
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“Eles estão ganhando dinheiro demais”, declarou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Salão Oval na segunda-feira (3). As petroleiras e seus lucros bilionários se tornaram o mais recente alvo de suas críticas.
“Não gosto disso. E eu deveria ser a última pessoa a dizer isso, porque sou um grande defensor da livre iniciativa”, afirmou Trump a jornalistas.
Uma queda nos preços da energia é exatamente o que Trump precisa a três meses das eleições legislativas de meio de mandato. Pesquisas atuais indicam que os democratas podem conquistar avanços significativos no Congresso. No entanto, a guerra contra o Irã elevou os preços globais do petróleo, o que acabou aumentando os custos para os consumidores americanos.
Por outro lado, os preços elevados representam uma bênção para os exportadores de petróleo. Nesta terça-feira, a Saudi Aramco, maior petroleira do mundo, informou que seu lucro cresceu 33% no segundo trimestre, alcançando US$ 33,4 bilhões (cerca de R$ 171,7 bilhões), ante US$ 25,2 bilhões (equivalente a R$ 129,5 bilhões) no mesmo período do ano passado.
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Enquanto isso, os americanos continuam enfrentando uma crise de custo de vida. Desde o início da guerra, o preço médio da gasolina subiu 37%, criando um cenário delicado para um presidente que busca desesperadamente uma vitória política antes das eleições de novembro.
“Dinheiro demais... Vou dizer isso em alto e bom som. Não estou feliz com isso”, afirmou Trump aos jornalistas na segunda-feira.
A Aramco se junta a uma lista de gigantes do setor que vêm registrando lucros recordes, mesmo com o conflito entre Estados Unidos e Irã reduzindo significativamente o fluxo de petroleiros pelo estreito de Ormuz, uma situação que, em determinados momentos, torna quase impossível exportar combustível da região.
Na sexta-feira (31), a americana ExxonMobil anunciou que seu lucro no segundo trimestre mais do que dobrou, chegando a US$ 14,5 bilhões (cerca de R$ 74,5 bilhões) em relação ao mesmo período de 2025. Sua concorrente, Chevron, registrou lucro de US$ 12,1 bilhões (equivalente a R$ 62,2 bilhões), mais de quatro vezes superior ao resultado obtido um ano antes.
Na semana passada, a britânica Shell informou lucro de quase US$ 10 bilhões (cerca de R$ 51,4 bilhões) no trimestre, o segundo maior resultado trimestral de sua história.
O crescimento dos ganhos segue um padrão conhecido: quando a oferta global é restringida, o medo e a escassez física impulsionam os preços da energia e alimentam reações políticas.
Nos meses que se seguiram à invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, em 2022, o então presidente Joe Biden criticou o que chamou de “lucro de guerra” por parte das empresas de energia, enquanto os preços globais do petróleo e do gás natural disparavam. Na época, ele chegou a sugerir a criação de um imposto extraordinário sobre esses ganhos.
Antes do início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, o barril do petróleo Brent, referência mundial, era negociado pouco abaixo de US$ 70 (cerca de R$ 360). Desde então, entretanto, chegou a atingir preços de três dígitos, sofreu quedas acentuadas e continua oscilando a cada sinal de avanço ou retrocesso nas negociações de paz. Na manhã desta terça-feira (4) (horário da Costa Leste dos EUA), o Brent era negociado próximo de US$ 80 (equivalente a R$ 411) por barril, cerca de 14% acima do nível registrado antes do conflito.
Rahul Choudhary, vice-presidente de pesquisa para exploração e produção da Rystad Energy, afirmou que os resultados recentes da Aramco também foram impulsionados pela decisão da companhia de exportar uma quantidade maior de produtos de alto valor agregado, como o diesel.
Mesmo assim, segundo ele, “essa receita elevada não pode ser mantida indefinidamente”. Em entrevista à CNN, Choudhary explicou que parte dos resultados da Aramco decorreu da venda de petróleo armazenado em reservas, que agora estão menores. Além disso, embora continuem voláteis, os preços recuaram em junho após Estados Unidos e Irã concordarem com um cessar-fogo que posteriormente foi rompido.
Embora a Arábia Saudita tenha encontrado uma alternativa para parte de suas exportações, redirecionando barris para o oeste e embarcando-os em petroleiros no mar Vermelho, essa rota também se tornou vulnerável.
No mês passado, os rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, anunciaram um bloqueio a embarcações sauditas que atravessam o estreito de Bab el-Mandeb, na entrada do mar Vermelho, e assumiram a responsabilidade por ataques contra navios. Como resultado, as exportações sauditas de petróleo pelo mar Vermelho foram reduzidas em pelo menos 50%, segundo Choudhary.
Enquanto os preços do petróleo permanecerem elevados, as empresas do setor continuarão registrando lucros gigantescos. Desde que, claro, optem por ignorar os apelos de Trump para que reduzam os preços cobrados dos consumidores.
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