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Eduardo Bolsonaro diz que autoridades dos EUA estão abertas à venda de armas ao Brasil

Ex-deputado e Paulo Figueiredo também levaram à agenda possíveis sanções contra ministros do STF

Encurtando Distâncias|Mathias Brotero, de Washington, D.C.

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Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro, em Washington
Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro, em Washington Mathias Brotero/R7

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro afirmou, nesta quinta-feira (17), que autoridades dos Estados Unidos demonstraram abertura para uma futura venda de armas e transferência de tecnologia ao Brasil. A declaração foi feita antes de encontros de Bolsonaro e de seu aliado, Paulo Figueiredo, no Departamento de Estado e na Casa Branca.

Eduardo disse ter apresentado a proposta como parte de uma possível ampliação da cooperação entre os dois países no combate ao crime organizado. Segundo ele, o fornecimento poderia incluir armamentos, inteligência e tecnologia para as forças de segurança brasileiras.


“É um jogo de ganha-ganha. O brasileiro ganha com mais segurança, e o americano ganha na venda do produto”, declarou. Questionado sobre quando uma negociação poderia avançar, reconheceu que seria necessário primeiro ter “o poder da caneta” no Brasil.

O ex-deputado afirmou ser contrário ao envio de militares americanos ao território brasileiro. “Eu não defendo o chamado ‘boots on the ground’. Mas, por exemplo, o envio de armas, sim”, disse.


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Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo também disseram que levariam às autoridades americanas pedidos pela retomada das sanções financeiras contra o ministro Alexandre de Moraes e pela aplicação de medidas semelhantes aos ministros Gilmar Mendes e Flávio Dino, todos do STF (Supremo Tribunal Federal).

Moraes foi incluído na lista de pessoas sancionadas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros, o OFAC, em 2025, mas posteriormente retirado. Eduardo e Figueiredo sustentam que ainda haveria base para uma nova inclusão. A decisão, no entanto, cabe exclusivamente ao governo americano e não há data para que o pleito seja analisado.


Eduardo também afirmou que continua defendendo publicamente a retomada da medida. “A todo momento, em toda oportunidade, sim. [...] Em qualquer fórum que eu vá, eu peço a sanção ao Alexandre de Moraes”, declarou.

Preocupação com as eleições brasileiras

As eleições presidenciais brasileiras também fizeram parte da agenda apresentada por Eduardo e Figueiredo em Washington. Os dois afirmaram que representantes americanos acompanham a situação política do Brasil e fazem questionamentos sobre o processo eleitoral.


Eduardo manifestou temor de que decisões do STF possam interferir na disputa caso o senador Flávio Bolsonaro vença a eleição. “Eu vejo a preparação de uma narrativa para tentar anular a eleição brasileira”, declarou.

‘Dissidentes políticos’

As declarações foram dadas no mesmo dia em que veio a público um documento enviado pelo governo americano a negociadores brasileiros, em outubro de 2025, durante as discussões sobre o tarifaço de 50%. A proposta, revelada inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo, reunia 21 exigências de Washington.

Entre elas, os Estados Unidos exigiam que o Brasil não detivesse, prendesse ou limitasse arbitrariamente a participação de “dissidentes políticos” nas eleições de 2026.

O documento, cuja existência foi confirmada pela RECORD por fontes da diplomacia brasileira, também cobrava o compromisso com a realização de eleições “livres e justas”.

O governo brasileiro rejeitou a exigência e argumentou que, em uma democracia, não existe essa categoria de pessoas.

Questionado se havia pedido a inclusão da expressão, Paulo Figueiredo respondeu que isso não seria necessário e classificou a si mesmo e a Eduardo como dissidentes. “A gente não precisa pedir para incluir, porque é a descrição dos fatos. Nós somos dissidentes políticos do governo brasileiro”, afirmou.

Eduardo disse ter recebido a notícia de forma positiva. “Eu fiquei feliz. Os Estados Unidos são uma referência quando se fala em democracia e, numa democracia, tem que haver ampla participação dos dissidentes”, declarou.

A Casa Branca e o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos foram procurados, mas não haviam respondido até a publicação deste texto.

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