Polícia somali detém e em seguida liberta estupradores de jovem jornalista
Internacional|Do R7
Nairóbi, 23 nov (EFE).- A polícia somali deteve e em seguida libertou dois radialistas acusados de estuprar uma jovem de 19 anos, que permanece detida, após tornar públicos nesta semana os abusos, informaram neste sábado fontes governamentais e a imprensa local. "Fomos informados de que os jornalistas da "Rádio Mogadishu" que estupraram uma jornalista - da rádio "Kasmo Voice of Women" - foram detidos", anunciou hoje o primeiro-ministro somali, Abdi Farah Shirdo, em seu perfil no Twitter. Em entrevista divulgada nesta semana pela emissora somali "Rádio Shabelle", a vítima, também jornalista, relatava como dois redatores da "Rádio Mogadishu" abusaram dela. Após publicar a denúncia, a polícia deteve a jovem e o jornalista da "Rádio Shabelle" que a tinha entrevistado, enquanto os dois supostos violadores permaneciam em liberdade. Finalmente, o governo deteve neste sábado os dois supostos estupradores, mas os libertou sob fiança nesta mesma manhã após interrogá-los, segundo a "Rádio Shabelle". "Para a surpresa de todos, o governo se recusou a libertar sob fiança a vítima, o jornalista que publicou o caso e o diretor da rede de imprensa 'Shabelle'", lamentou a emissora, em uma nota em seu site. "Isso demonstra mais uma vez como a justiça na Somália não pode funcionar de forma independente", acrescentou o texto. Segundo a "Rádio Shabelle", o executivo somali alega, para a detenção de seu diretor, Abdimalik Yousef Mohamud, que a emissora "havia divulgado antes que o Ministério do Interior havia roubado objetos" durante uma batida no mês passado nas instalações da emissora, que funciona em locais públicos. A jovem jornalista contou que um de seus supostos estupradores, empregado da rádio estatal, ameaçou matá-la, seu pai e seu irmão se ela contasse sobre o ocorrido. A vítima também assegurou que entrou em contato com o diretor da "Rádio Mogadishu", Abdirahim Issa Adow, e com o secretário de Estado de Informação, Abdishkur Olhe Adan, quando foi estuprada, mas que nenhum dos dois se pronunciou. O representante especial da ONU para a Somália, Nicholas Kay, solicitou na quinta-feira passada uma investigação "adequada" da denúncia. "A Missão da ONU na Somália supervisionará esta nova denúncia de estupro em Mogadíscio. Uma representação legal, uma investigação adequada e a liberdade de expressão são questões importantes", declarou Kay. Aproximadamente 1.700 mulheres somalis foram estupradas no ano passado só em Mogadíscio, capital do país, segundo dados da ONU. No entanto, poucas se atreveram a denunciar Os abusos por medo de represálias - inclusive de instituições como a polícia. EFE dgp/tr







