Logo R7.com
RecordPlus

Policiais envolvidos no massacre do Carandiru são condenados a até 624 anos

Internacional|Do R7

  • Google News

São Paulo, 3 ago (EFE).- O Tribunal do Júri aplicou na madrugada deste sábado uma dura pena condenação, de até 624 anos de prisão, a 25 policiais, por ter cometido em 1992 o massacre de 111 presos no Complexo Penitenciário do Carandiru. Os policiais foram considerados culpados pelo assassinato de 52 presidiários que participavam de uma rebelião, cujos casos eram analisados nessa segunda fase do julgamento, que teve cinco sessões. O juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo também ordenou que os nove policiais que continuam na ativa percam seus respectivos cargos. Os condenados têm direito a recorrer em liberdade e em nenhum caso passarão mais de 30 anos na prisão, já que essa é a pena máxima prevista no Código Penal. Após a divulgação da sentença, o promotor Fernando Pereira Filho disse que a decisão do júri reflete "a voz da sociedade" em relação ao massacre que estremeceu a opinião pública. A advogada de defesa, Ieda Ribeiro de Souza, afirmou que "a sociedade perdeu e o mundo do crime ganhou" com a desvalorização de policiais "que trabalharam honestamente". "O processo está viciado. O sistema (judicial) está viciado. Este sistema que temos é um sistema doente", declarou Ieda a jornalistas, argumentando que no Código Penal não há o conceito de "autoria coletiva" de um crime, no qual a acusação se baseou. Nesta fase do julgamento, que durou cinco sessões, o promotor voltou a reconstruir passo a passo a ofensiva da polícia, que segundo os relatórios legistas, alvejou os presos em suas celas e nos corredores, com dezenas de tiros por cada vítima e em muitos casos, com tiros na cabeça. A advogada de defesa disse que é impossível atribuir responsabilidades individuais por falta de provas e pela má qualidade dos relatórios médicos legais da época. Em sua alegação final, Ieda também questionou as mudanças de última hora feitas pela promotoria que, com o julgamento em andamento, revisou para baixo o número de acusados e de vítimas. A promotoria reduziu um acusado ao comprovar que havia morrido e, em suas alegações finais, hoje retirou as acusações de homicídios, quatro delas porque foram por arma branca e o restante, porque há indícios de que ocorreram em outros pavilhões onde o grupo de policiais processado nessa fase não agiu. O massacre aconteceu em 2 de outubro de 1992, quando a polícia tentou aplacar uma rebelião no pavilhão nove da então maior prisão do país, onde se aglomeravam 2.700 presos, alguns deles ainda à espera de julgamento. A advogada de defesa questionou nesta sexta-feira que não tenha sido julgado o governador de São Paulo na época, Luiz Antônio Fleury Filho, que só foi convocado como testemunha. As penas de hoje se somam às da primeira fase do julgamento, realizada em abril, na qual 23 agentes foram considerados culpados por 13 assassinatos, que acarretaram penas de 156 anos de reclusão para cada um. Essas primeiras condenações geraram elogios por parte do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, que em abril passado elogiou que estivesse sendo feita justiça "depois de mais de duas décadas de impunidade". Na mesma linha, a Anistia Internacional manifestou sua convicção de que este processo signifique o "princípio do fim de um longo legado de impunidade". Ainda devem sentar no banco dos réus 27 policiais acusados de responsabilidade em 18 assassinatos, embora o tribunal ainda não tenha definido a data das próximas audiências. EFE mp/tr

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.