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Política externa pode ser ferramenta poderosa num momento de crise

Especialistas afirmam que o perfil da presidente não é de valorizar este campo da política

Internacional|Marta Santos, do R7

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Dilma não parece considerar a política externa como um campo útil para promover projetos mais amplos, dizem especialistas
Dilma não parece considerar a política externa como um campo útil para promover projetos mais amplos, dizem especialistas

Muito mais do que um instrumento de projeção, status e expansão no cenário internacional, a política externa de um país pode ser uma ferramenta poderosa para melhorar a imagem de um governo ou ajudar a resolver crises internas, como a do atual momento brasileiro.

A princípio, a política externa dá uma maior margem de manobra aos presidentes que, como no caso de Dilma Rousseff, não têm apoio interno para aprovar projetos de governo, explica o professor de relações internacionais da FGV, Oliver Stuenkel.


— Nada impede que um presidente lance uma iniciativa específica ou que ele assuma um papel de liderança internacional. A presidente poderia, por exemplo, marcar uma grande conferência em Brasília e discutir o futuro da América do Sul com outros chefes de Estado.

Uma análise rápida da postura de alguns presidentes nos últimos dois anos já mostra como a política externa foi usada em diversos momentos para melhorar a imagem dos governos. Em meio a uma crise econômica, a presidente Cristina Kirchner tentou desviar a atenção popular para o referendo de 2013, que poderia trazer as Ilhas Malvinas de volta ao governo argentino; Vladimir Putin reascendeu o sentimento de nacionalismo entre os russos anexando a região da Crimeia em 2014; até mesmo Barack Obama está tentando deixar um legado por meio da política externa, apostando em um acordo com o Irã e se reaproximando de Cuba.


Diferente desses líderes, o perfil de governo de Dilma não parece considerar a política externa como um campo útil para promover projetos mais amplos.

Para a professora Denilde Holzhacker, do curso de relações internacionais da ESPM, a presidente apenas instrumentaliza a política externa brasileira para ampliar, principalmente do ponto de vista econômico, as oportunidades para o país.


— O argumento é de que a política externa tem que servir para diminuir os riscos da internacionalização, ajudar a economia, alavancar a exportação, ajudar a internacionalizar as empresas brasileiras e trazer mais competitividade.

Mas essa visão “instrumentalizada” da política externa tem seu preço. Desde o início do governo Dilma, o Brasil tem perdido legitimidade internacional e seu papel de grande potência mundial, principalmente, em relação ao espaço que havia sido conquistado junto a países africanos e do Oriente Médio.


Além disso, lembra o professor da FGV, em uma região como a América Latina, que sofre com problemas que vão além das fronteiras e que nenhum país pode solucionar unilateralmente, o Brasil poderia se destacar como um líder para desenvolver estratégias para combater, por exemplo, o tráfico de drogas e a violência.

— O Brasil ainda tem um prestígio enorme por ser uma das principais e maiores democracias do mundo e porque temos conseguido lidar com vários desafios internos de maneira incrível, por exemplo, a redução da pobreza. O governo poderia ajudar a montar uma estratégia regional com os países vizinhos para combater o tráfico de armas, o crime organizado e até mesmo o desmatamento de forma mais eficaz.

Itamaraty

A força internacional da política externa brasileira não depende apenas da presidente de forma direta, mas também do quanto ela ajuda a explorar o potencial do Ministério das Relações Exteriores.

Durante os mandatos de Dilma, o Itamaraty e os chanceleres brasileiros Antonio Patriota (2011), Luiz Alberto Figueiredo (2013) e Mauro Vieira (2015) perderam liberdade de atuação em comparação como o Celso Amorim (2010), no governo Lula.

Outra questão é que a situação precária das embaixadas e o número reduzido de diplomatas brasileiros pelo mundo, o que também reduz a capacidade da rede diplomática.

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