Protestos contra ações do Hezbollah na Síria deixam 1 morto no Líbano
Internacional|Do R7
BEIRUTE, 9 Jun (Reuters) - As tropas libanesas bloquearam ruas de Beirute, a capital do país, com tanques e arame farpado por várias horas neste domingo, depois que um manifestante acabou morto do lado de fora da embaixada do Irã, elevando as tensões já inflamadas pela guerra civil na vizinha Síria.
O homem foi morto durante confronto entre grupos rivais de xiitas islãs, depois que milicianos do grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã, abriram fogo contra manifestantes que se aglomeravam em frente à embaixada.
Com dificuldades e limitações para se impor desde que inúmeras facções armadas começaram a surgir a partir da guerra civil do Líbano, há duas décadas, o Exército libanês conseguiu posicionar tanques blindados em volta do centro da cidade e bairros controlados pelo Hezbollah, neutralizando o inimigo. No começo da noite, o tráfego já havia sido restabelecido.
Membros de vários grupos étnicos, como sunitas e xiitas islâmicos e cristãos, realizaram uma passeata no centro da cidade em protesto contra o apoio do Hezbollah ao presidente sírio Bashar al-Assad --seus militantes ajudaram as tropas de Assad a retomar a cidade estratégica de Qusair, na fronteira do Líbano com a Síria, na última semana.
Um jornalista da Reuters testemunhou o exato momento em que integrantes de um pequeno partido xiita chegaram à embaixada iraniana de ônibus e foram recebidos a tiros por membros do Hezbollah.
Policias libaneses confirmaram que um dos homens do partido xiita, que estava desarmado, acabou morto, e outros dezenas de manifestantes ficaram feridos.
As tensões entre Síria e Líbano aumentaram quando o líder do Hezbollah, Sheikh Hassan Nasrallah, se comprometeu há duas semanas a lutar por Assad até o fim.
A capital Beirute vem sendo reconstruída há 15 anos desde a guerra civil que acabou em 1990, mas a falta de segurança na cidade vem assustando os moradores e pondo em perigo a prosperidade local.
Proprietário de um hotel, Ali Hammoud afirma que episódios violentos como o deste domingo afastam turistas. "O que aconteceu hoje nos assusta muito e nos faz crer que tempos difíceis virão. Estamos atraindo tragédias em nossas cabeças porque interferimos nos assuntos dos outros... Ninguém virá ao Líbano agora. Nossa principal preocupação é se manter vivo."
Um membro do parlamento libanês, que apoia o ex-primeiro- ministro Saad Hariri, um sunita, disse que o Hezbollah deve tirar seus homens do front.
"O Hezbollah tem colocado o Líbano em um túnel sem fim", disse Nuhad Mashnouq. "Sempre vai haver calamidade no Líbano. Eles devem se retirar da Síria."










