PSOL pede processo disciplinar contra Marco Feliciano por quebra de decoro
Internacional|Do R7
Brasília, 3 abr (EFE).- O PSOL pediu nesta quarta-feira o início de um processo disciplinar contra o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) na Câmara por quebra de decoro parlamentar, denunciando que ele teria tirado proveito do mandato em benefício próprio e usado cota parlamentar para pagar empresas que lhe prestaram serviços particulares. O pastor evangélico foi alvo ontem de um pedido similar, feito por Iriny Lopes (PT-ES), sua antecessora como presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. A deputada quer que a Corregedoria investigue se Feliciano quebrou o decoro ao dizer, durante um culto em Minas Gerais, que o órgão "era dominado por Satanás" até ele chegar à presidência. Além da denúncia apresentada pelo PSOL, deputados do PT protocolaram um recurso na Mesa Diretora da Câmara que pede a anulação da reunião da Comissão de Direitos Humanos que elegeu Feliciano como seu presidente. Eles defendem que deveria ter sido analisada uma questão de ordem apresentada pelo deputado Padre Ton (PT-RO), que questionava a legitimidade de Feliciano para presidir a comissão por ter feito declarações consideradas homofóbicas e racistas. Os opositores do polêmico deputado lembram que, antes de sua eleição, ele tinha afirmado que a Bíblia diz que a raça negra é "maldita", que a Aids é "um câncer homossexual" e que "o amor entre pessoas do mesmo sexo leva ao ódio e ao crime". Ontem, o deputado colocou mais ingredientes na polêmica ao declarar que está sendo alvo de uma "perseguição" promovida por uma "ditadura gay" que pretende "obrigar as pessoas a pensar como eles querem". A indignação causada pela eleição de Feliciano como presidente da Comissão de Direitos Humanos foi além das fronteiras do país. Na semana passada, a Anistia Internacional uniu-se ao coro que pede sua renúncia ou cassação. Em comunicado, a Anistia Internacional considerou "inaceitável" que Feliciano ocupe esse cargo devido a suas "posições claramente discriminatórias" em relação à população negra, aos homossexuais e às mulheres e exigiu ao Congresso que "corrija esse erro". Feliciano, no entanto, apesar dos protestos que ocorrem cada vez que há uma reunião da Comissão de Direitos Humanos, declarou várias vezes que não renunciará, pois alega que foi eleito de forma "legítima" pelos outros membros do colegiado. EFE ed/id (foto)










