Putin socorre Yanukovich com US$ 15 bilhões e redução no preço do gás
Internacional|Do R7
Ignacio Ortega. Moscou, 17 dez (EFE).- O presidente russo, Vladimir Putin, ajudará o líder ucraniano, Viktor Yanukovich, e socorrerá a deprimida economia com o investimento de US$ 15 bilhões e uma redução da tarifa do gás. Putin decidiu "apoiar o orçamento" da Ucrânia, dias das "dificuldades que sua economia sofre, relacionadas em grande medida com a crise econômica e financeira mundial". O Kremlin explicou nesta quarta-feira que a Ucrânia emitirá em breve bônus do Estado e a Rússia comprará US$ 15 bilhões dessas obrigações, embora só uma parte este ano. A imprensa tinha informado que Kiev solicitaria a Moscou um crédito desse valor após fracassarem as negociações com o Fundo Monetário Internacional, e espera receber já US$ 5 bilhões para impedir que sua economia entre em recessão. A União Europeia (UE) fez até o momento ouvidos surdos aos pedidos da Ucrânia, que avaliou em 20 bilhões de euros a ajuda financeira que precisa para assinar o Acordo de Associação. Putin surpreendeu a todos ao anunciar em entrevista coletiva uma redução de mais de 30% do preço do gás que a Rússia exporta à Ucrânia, que a partir do 1º de janeiro pagará 268,5 dólares por cada mil metros cúbicos. Até agora a Ucrânia, que tinha exigido uma revisão de um contrato que considerava oneroso para sua economia, pagava mais de US$ 400 para cada mil metros cúbicos de gás, número inviável de arcar para sua economia. "De todo modo, este é um acordo provisório. Queremos dizer que ainda falta, e chegaremos, a um acordo de longo prazo tanto sobre a provisão de gás para a Ucrânia, como sobre o trânsito do gás russo para consumidores na Europa", contemporizou Putin. O contrato assinado em 2009 sob a supervisão de Putin custou uma condenação de sete anos de prisão por abuso de poder à ex- primeira-ministra e líder da oposição ucraniana Yulia Tymoshenko. A redução do gás e os US$ 15 bilhões são uma tábua de salvação para a economia ucraniana, que está à beira da falência, segundo os analistas, baseados nas reservas de divisas, no ponto mais baixo dos últimos sete anos. A decisão russa representa um respaldo para Yanukovich em seu próprio país, cenário de protestos contra o governo desde 21 de novembro por causa de sua renúncia a se associar com a UE por considerar que o acordo oferecido prejudicava os interesses da Ucrânia. Logo após a divulgação do acordo, o dirigente da oposição ucraniana Vitali Klitschko denunciou em Kiev que, para receber a ajuda russa, Yanukovich fiou ativos estratégicos como a rede nacional de gasodutos. "A única saída para a crise são eleições antecipadas", defendeu o boxeador durante um comício na Praça da Independência da capital ucraniana. Rússia e Ucrânia também assinaram hoje um plano de ação para o pleno restabelecimento de suas relações comerciais, já que os intercâmbios diminuíram em 11% (US$ 45 bilhões) em 2012 e outros 15% nos primeiros nove meses deste ano. Segundo Putin, a retirada de certas restrições e tarifas à importação permitirá aumentar o fluxo de produtos ucranianos nos três países que integram a União Aduaneira (UA): Rússia, Belarus e Cazaquistão. Além de advertir com a imposição de medidas protecionistas caso Kiev assinasse o Acordo de Associação com a UE, Moscou bloqueou durante os últimos meses as importações de várias companhias ucranianas, o que afetou consideravelmente os intercâmbios bilaterais. O que não se discutiu hoje, disse Putin, foi a possível entrada da Ucrânia na UA, em alternativa à associação com a UE. Putin diz que não obrigará à Ucrânia a ingressar na UA, mas reforçou que as economias no bloco são complementares e adverte que as grandes companhias metalúrgicas e aeronáuticas ucranianas teriam sua clientela no vizinho do norte, enquanto no seio da UE serão incapazes de suportar a concorrência. Os países acordaram a adoção de medidas para reatar a produção em série dos aviões Antonov-124 com motores D-18T e para impulsionar o projeto de construção de uma ponte para ligar a península da Criméia com território russo através do estreito de Kerch, no Mar Negro.EFE io/cd (foto)










