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Quem é o médico americano que contraiu Ebola após operar um paciente no Congo

Cirurgião deixou os EUA para atuar em uma região isolada da África e agora enfrenta uma das doenças mais letais do mundo

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Peter Stafford, cirurgião americano, contraiu Ebola enquanto trabalhava em uma missão no Congo.
  • Ele era o único cirurgião do Hospital Nyankunde, essencial para a comunidade local com cuidados limitados de saúde.
  • A infecção aconteceu após uma cirurgia em um paciente que tinha Ebola, mas inicialmente apresentava sintomas comuns.
  • A família de Stafford, incluindo sua esposa e filhos, está em quarentena na Alemanha enquanto ele recebe tratamento especializado.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Peter Stafford vivia com a família no interior da República Democrática do Congo Reprodução/Instagram/@graceatthefray

O cirurgião americano Peter Stafford, de 39 anos, viajou para a República Democrática do Congo com uma missão que unia medicina e fé. Em uma das regiões mais remotas do país africano, ele atuava como o único cirurgião do Hospital Nyankunde, referência para comunidades com acesso limitado a cuidados de saúde. E foi nesse cenário de serviço humanitário que o médico acabou infectado pelo vírus Ebola durante um surto que já provocou mais de 130 mortes.

Stafford integra a organização cristã missionária Serge Global, entidade que mantém mais de 325 missionários em 29 países. Segundo a instituição, o objetivo do trabalho é servir às populações vulneráveis e formar uma nova geração de profissionais africanos da saúde, ao mesmo tempo em que os missionários expressam sua fé cristã por meio da assistência médica.


A trajetória de Peter Stafford está profundamente ligada à medicina e à vocação religiosa. Ele conheceu a esposa, Rebekah Stafford, durante os estudos na Ohio State University. Ambos são médicos e decidiram se mudar com os quatro filhos para o Congo, onde assumiram um compromisso de pelo menos cinco anos de atuação na região.

No Hospital Nyankunde, na província de Ituri, Stafford desempenhava um papel essencial. Como único cirurgião da unidade, era responsável por procedimentos complexos em uma área onde a escassez de especialistas torna cada profissional indispensável. Sua saída repentina para tratamento deixou o hospital sem um médico capaz de realizar cirurgias.


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Como o americano se contaminou

A infecção ocorreu após uma operação em um paciente de 33 anos que chegou com fortes dores abdominais. A equipe acreditava inicialmente tratar-se de uma infecção na vesícula biliar. Durante o procedimento, Stafford constatou que a vesícula estava normal e encerrou a cirurgia. O homem morreu no dia seguinte e, posteriormente, tornou-se o principal suspeito de ter sido portador do Ebola.

Esse caso ilustra justamente uma das maiores dificuldades no combate à doença. Nos estágios iniciais, os sintomas do Ebola, como febre, náusea, fadiga, dores musculares e calafrios, se confundem com enfermidades comuns na região, como malária e febre tifoide. Mesmo sendo um profissional extremamente cuidadoso e acostumado a usar equipamentos de proteção, Stafford acabou exposto ao vírus.


No sábado (16), o médico começou a sentir febre, náusea, fraqueza e tontura. No domingo (17), o teste confirmou o diagnóstico de Ebola. Seu quadro se agravou rapidamente, e ele chegou a ter dificuldade para caminhar sem ajuda.

Durante o transporte aéreo, Stafford foi colocado em uma cápsula plástica de isolamento, semelhante a um tubo selado, utilizada para evitar o risco de contágio da tripulação. O destino foi o hospital Charité – Universitätsmedizin, em Berlim, na Alemanha, um dos centros europeus mais preparados para tratar infecções altamente perigosas.


Segundo colegas da Serge, o médico estava muito debilitado no momento da evacuação. Ainda assim, a organização afirmou manter esperança em sua recuperação, embora reconheça a gravidade da doença.

Família de Stafford está em quarentena

Enquanto Peter Stafford recebe atendimento especializado na Alemanha, a situação de sua família mobiliza atenção especial. Rebekah Stafford, de 38 anos, também médica, atendeu uma paciente grávida que mais tarde morreu e pode ter estado infectada.

Ela e os quatro filhos do casal, com idades entre 1 e 7 anos, permaneceram inicialmente em isolamento no Congo. Posteriormente, foram encaminhados à Alemanha para cumprir quarentena e permanecer próximos de centros especializados, caso apresentem sintomas.

Outro médico da Serge, Patrick LaRochelle, também considerado potencialmente exposto, foi transferido para o Hospital Bulovka, em Praga, na República Tcheca.

As autoridades de saúde dos Estados Unidos acompanham o caso de perto. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, do governo americano) coordena ações com os ministérios da Saúde do Congo e de Uganda, além de enviar especialistas técnicos para reforçar o controle da epidemia.

O Departamento de Estado norte-americano anunciou financiamento para até 50 clínicas de tratamento nas áreas afetadas, com o objetivo de ampliar triagem, isolamento e contenção do vírus.

Surto de Ebola no Congo

O surto em curso no Congo e em países vizinhos é causado pela variante Bundibugyo do vírus Ebola, uma forma menos comum para a qual não há vacina nem tratamento aprovado. Em epidemias anteriores, a taxa de mortalidade variou entre 25% e 50%, o que aumenta a preocupação das autoridades sanitárias.

A Organização Mundial da Saúde declarou emergência internacional de saúde pública devido à velocidade de propagação da doença. Até o momento, mais de 500 casos suspeitos foram registrados, e especialistas alertam que o número pode crescer rapidamente.

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