Rússia vende anúncio em foguetes e aposta em patrocínios para financiar missões
Marcas russas já aparecem em lançamentos de 2026, mas a receita ainda representa pouco diante dos custos bilionários do setor
Internacional|Do R7
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A agência espacial estatal da Rússia, a Roscosmos, passou a exibir publicidade comercial em seus foguetes como forma de ampliar receitas em meio à queda no faturamento e à saída de parceiros internacionais. A medida foi viabilizada por uma legislação que entrou em vigor em 1º de janeiro de 2026 e autoriza a estatal a explorar atividades publicitárias.
Segundo informações divulgadas pelo jornal Vedomosti, quatro lançamentos realizados a partir do Cosmódromo de Baikonur desde o início do ano já levaram marcas estampadas nas estruturas dos foguetes. Entre os anunciantes estão o banco Promsvyazbank, a rede de cafeterias Coffeemania, o grupo de mídia Russian Media Group e o Comitê Olímpico Russo.
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A expectativa é que a comercialização de espaços publicitários em foguetes gere até US$ 2,8 milhões (cerca de R$ 15,8 milhões) por ano. Já os anúncios em instalações terrestres ligadas ao programa espacial poderiam acrescentar cerca de US$ 69 mil (aproximadamente R$ 390 mil) anuais.
Apesar do novo fluxo de recursos, os valores representam apenas uma pequena parcela das necessidades financeiras da Roscosmos. De acordo com fontes ouvidas pelo Vedomosti, a publicidade ainda responde por uma fração modesta das receitas comerciais da corporação.
A limitação fica mais evidente quando comparada ao custo das operações espaciais. Um único lançamento pode alcançar cifras bilionárias, o que reduz significativamente o impacto prático da receita obtida com os patrocínios.
A Coffeemania, uma das patrocinadoras, também firmou parceria para fornecer bebidas liofilizadas aos cosmonautas em missão na Estação Espacial Internacional. O primeiro lote inclui café filtrado e uma bebida de rosa mosqueta.
Segundo a empresa, o desenvolvimento dos produtos levou quase um ano para reproduzir no espaço o mesmo sabor servido aos clientes em suas cafeterias. A rede também criou um bolo comemorativo inspirado na estética espacial para marcar a colaboração com a Roscosmos.
Rússia quer explorar a Lua
A busca por novas fontes de receita ocorre em um momento em que a Rússia tenta preservar sua posição como uma das principais potências espaciais. Paralelamente às iniciativas comerciais, o país mantém projetos de longo prazo voltados à exploração da Lua.
A Academia Russa de Ciências apresentou uma proposta que prevê a divisão da superfície lunar em zonas de atividade. O plano integra o projeto federal “Space Science”, voltado à definição das metas russas para a exploração do satélite natural.
O vice-presidente da instituição, Sergei Chernyshev, afirmou que o programa pretende garantir a presença ativa da Rússia na Lua, além de ampliar conhecimentos científicos e tecnológicos. Em uma perspectiva de longo prazo, ele mencionou a possibilidade de estabelecer áreas de atuação soberana no solo lunar.
A primeira fase do programa prevê o desenvolvimento de tecnologias para pousos e pesquisas científicas na superfície da Lua. Ao mesmo tempo, a Roscosmos assinou um contrato governamental para criar uma usina de energia lunar, com execução prevista entre 2025 e 2036.
A instalação deverá fornecer energia contínua para veículos exploratórios, observatórios e demais equipamentos utilizados no programa lunar russo.
O projeto também dará suporte à Estação Internacional de Pesquisa Lunar (International Lunar Research Station, em inglês), iniciativa desenvolvida em parceria com a Administração Espacial Nacional da China (CNSA). A estrutura deverá contar centros de pesquisa para missões robóticas e tripuladas.
A conclusão da estação científica internacional está prevista para 2036. Até lá, a Roscosmos busca equilibrar dificuldades financeiras imediatas com o objetivo estratégico de manter a Rússia na disputa pela próxima etapa da exploração espacial.
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