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Família de onde? Por que a história da mãe de Kim Jong-un é um segredo na Coreia do Norte

Dinastia norte-coreana construiu sua narrativa de poder em torno da linhagem do ‘Monte Paektu’ e ‘apagou’ o papel da matriarca

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Kim Jong-un nunca mencionou publicamente o nome de sua mãe, Ko Yong Hui, em seus 15 anos de liderança na Coreia do Norte.
  • Ko Yong Hui nasceu em Osaka, Japão, e sua família fazia parte dos coreanos 'Zainichi', que migraram para a Coreia do Norte durante um programa de reassentamento.
  • Ko Yong Hui teve três filhos com Kim Jong Il, incluindo Kim Jong-un, mas nunca foi oficialmente reconhecida como esposa do líder norte-coreano.
  • O mistério em torno de Ko Yong Hui representa uma ameaça à narrativa de pureza da linhagem 'Monte Paektu', central na propaganda do regime norte-coreano.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Kim Jong-un nunca mencionou publicamente o nome de sua mãe, Ko Yong Hui Reprodução/KCNA

Por trás da imagem de poder construída pela família Kim na Coreia do Norte, um dos maiores mistérios envolve justamente a origem da mãe do ditador do país. Em 15 anos no comando, Kim Jong-un nunca mencionou publicamente o nome de sua mãe, Ko Yong Hui, uma ausência que chama atenção em um regime que baseia sua legitimidade na chamada linhagem “Monte Paektu”.

A dinastia Kim construiu sua narrativa de poder em torno dessa linhagem, associada ao Monte Paektu, montanha localizada na fronteira entre a China e a Coreia do Norte e que é considerada um símbolo nacional. A propaganda oficial afirma que a família governante possui uma ligação histórica com o local, usado há décadas para reforçar a ideia de sucessão hereditária.


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O segredo em torno de Ko Yong Hui, porém, envolve uma história bem diferente da imagem criada pelo regime. De acordo com informações reunidas por pesquisadores e divulgadas pela BBC, ela teria nascido em Osaka, no Japão, em 1952, filha de coreanos que viviam no país durante o período de domínio japonês sobre a península.

A família de Ko fazia parte dos chamados coreanos “Zainichi”, grupo formado por descendentes de coreanos que permaneceram no Japão após o período colonial. Quando ela tinha cerca de 10 anos, seus familiares migraram para a Coreia do Norte em um programa de reassentamento que levou milhares de pessoas do Japão para o país entre 1959 e 1984.


Apesar das promessas de melhores condições de vida, muitos desses migrantes passaram a ser vistos com desconfiança pelo governo norte-coreano e receberam uma classificação social considerada inferior dentro do sistema conhecido como “songbun”, que define o status de uma pessoa de acordo com sua origem familiar e histórico político.

Para analistas ouvidos pela BBC, essa origem representa um contraste com a narrativa de pureza da linhagem Paektu. A ideia de que o líder norte-coreano descende de uma família com raízes associadas ao Japão poderia ser vista como uma ameaça à imagem construída pelo regime.


De artista a peça-chave da sucessão

Antes de se tornar uma figura central na família governante, Ko Yong Hui era integrante do grupo artístico Mansudae, uma companhia de elite da Coreia do Norte. Segundo relatos de pesquisadores, ela chamou a atenção de Kim Jong-il, filho do fundador Kim Il Sung e futuro líder do país.

Ko teria se tornado uma das pessoas mais próximas de Kim Jong-il e teve três filhos com ele, incluindo Kim Jong-un. Apesar da relação, ela nunca foi oficialmente apresentada como mulher do líder e não recebeu o mesmo reconhecimento público dado a outras figuras ligadas à família Kim.


Após a morte de Kim Il Sung, Kim Jong-il assumiu o poder e Ko passou a ocupar uma posição de influência nos bastidores. Ainda assim, seu nome permaneceu praticamente ausente da mídia estatal.

Ko morreu em 2004, vítima de câncer de mama, em um hospital em Paris, na França. A morte não foi divulgada oficialmente pelo governo norte-coreano.

A escolha de Kim Jong-un

Quando Kim Jong-il morreu, em 2011, Kim Jong-un assumiu o comando do país aos 27 anos. A escolha surpreendeu parte dos observadores, já que ele era o filho mais novo.

Segundo a BBC, o caminho para a sucessão ficou aberto após a queda de Kim Jong-nam, filho mais velho de Kim Jong-il, que passou a criticar a sucessão hereditária e viveu anos afastado do país. Em 2017, ele foi assassinado na Malásia em um caso envolvendo um agente químico letal.

Outro irmão, Kim Jong Chul, também teria sido descartado como possível sucessor, abrindo espaço para Kim Jong-un assumir a liderança.

O mistério sobre Ko Yong Hui continua sendo um ponto sensível para o regime. Para especialistas citados pela BBC, a divulgação ampla sobre a origem da mãe de Kim poderia atingir justamente um dos principais pilares da propaganda norte-coreana: a ideia de uma linhagem familiar destinada a governar o país.

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