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Quem perseguir geishas para fazer selfie pode ser multado em Kyoto

Cidade conhecida por seus bairros tradicionais quer regular comportamento de turistas desagradáveis, que atrapalham moradores para tirar fotos

Internacional|Giovanna Orlando, do R7

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Geishas são perseguidas por turistas para tirarem fotos
Geishas são perseguidas por turistas para tirarem fotos

As autoridades de Kyoto, no Japão, proibiram turistas de tirar fotos em algumas partes dos bairros em que as geishas vivem, depois de receberem reclamações dos moradores sobre assédio e mau comportamento dos turistas.

Além de forte campanha e medidas para restringir o fluxo de visitantes nos bairros mais turísticos, as selfies em determinadas ruas e estabelecimentos podem virar uma multa para o viajante menos cuidadoso.


Os bairros antigos de Kyoto são conhecidos pela conservação da tradição e cultura japonesa.

As mulheres geisha são reconhecidas pela maquiagem, com a pele branca e lábios pintados de vermelho, e pelos quimonos.


Elas se dedicam a aprender música, canto, dança e a tocar o shamisen, tradicional instrumento japonês. Em Kyoto, as geishas são chamadas geiko.

Bairros tradicionais já cobram taxas de turistas


Na tentativa de controlar o fluxo de turistas no tradicional distrito de Gion, os visitantes já começaram a ter de pagar uma taxa de até 10 mil yen, cerca de R$ 365, para entrar nas ruas.

A cidade de Kyoto está incluindo a medida em outros lugares que sofrem com o fluxo constante e intenso de turistas, que pode continuar depois das Olímpiadas de Tóquio, em 2020.


Turistas terão que pagar taxa para visitar bairro de geishas
Turistas terão que pagar taxa para visitar bairro de geishas

O tradicional bairro de Gion atrai turistas que querem conhecer os templos e ver as geiko e as aprendizes, chamadas de maiko, usando quimonos pelas ruas enquanto vão para os compromissos durante a tarde.

Algumas relatam que turistas as seguem nas ruas, tumultuam os caminhos tentando tirar fotos e selfies e até correm atrás dos carros em que elas estão para tentar tirar fotos delas.

Em Hanamikoji, uma rua pública, já há avisos pedindo para que turistas não tirem fotos. O bairro é conhecido pelos restaurantes em que geikos e maikos se apresentam para clientes e turistas.

As reclamações

Segundo o jornal britânico The Guardian, em uma pesquisa com 300 restaurantes e lojas da região, as reclamações incluíam lixo deixado na rua, fumar enquanto anda, bloquear e atrapalhar o trânsito e invasão de propriedade privada.

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As multas e proibições não estão previstas na lei, mas os moradores e trabalhadores da região esperam que turistas entendam que algumas atitudes não são permitidas e aceitas no bairro.

“A rua Hanamikoji é uma rua pública, então nós não podemos proibir fotos aqui”, diz Isokazu Ota, dono de um restaurante e líder do conselho local para o jornal japonês Asahi Shimbum. “Mas, proibindo isso em áreas privadas, gostaríamos que os turistas entendessem que tirar fotos nesses locais vai contra a regra local”.

Além das proibições e multas, o conselho também está entregando marcadores de página e adesivos em inglês e chinês alertando sobre os comportamentos inaceitáveis.

Pouco resultado

A medida pode não dar certo mesmo com o esforço dos conselhos locais. Com Kyoto entrando na rota turística no Japão, os ônibus acabaram ficando mais cheios, restaurantes não tem mais espaço e sem reservas disponíveis e o miyabi, a aura sofisticada da cidade que acaba tornando ela atrativa, se esvai.

Só no ano passado, o Japão bateu recorde de número de visitantes, com 31 milhões de turistas.

A queda no valor do yen, as mudanças para conseguir o visto e barateamento de passagens aéreas tornaram o país atrativo. A expectativa é que no ano que vem, para as Olimpíadas, o número de visitantes aumente ainda mais.

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