Rejeição ao acordo nuclear com o Irã pode prejudicar o dólar, indica Kerry
Internacional|Do R7
Washington, 11 ago (EFE).- O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, alertou nesta terça-feira que uma possível rejeição ao acordo nuclear com o Irã pelo Congresso provocará uma perda de confiança na liderança americana, o que pode colocar em risco o status do dólar como principal referência do mercado internacional. "Se voltamos atrás e rejeitamos o acordo, diremos ao resto do mundo: 'terão que obedecer nossas regras sobre as sanções apesar de tudo'. Essa é uma receita muito rápida para que o dólar deixe de ser a divisa de reserva internacional", disse Kerry. Em uma conferência organizada pela agência de notícias "Reuters" em Nova York, o chefe da diplomacia americana indicou que a mudança não ocorreria "da noite para o dia", mas destacou que há uma "antipatia enorme" contra os EUA na Rússia, China e em outros países que estão "irritados" com a atual arquitetura financeira global. "As complicações que resultarão disso (a rejeição do acordo) serão enormes. Haverá um aumento da noção de que se deve haver uma divisa de reserva diferente porque os EUA não estão respeitando os acordos que negocia", afirmou o secretário de Estado. Além disso, Kerry indicou que os interesses americanos serão prejudicados com os próprios aliados. Uma manutenção das sanções pode melar, por exemplo, as relações com a União Europeia (UE), com quem o país está negociando o Tratado de Livre-Comércio e Investimentos (TTIP) e cooperando na crise da Ucrânia. O secretário afirmou que o Tesouro americano está terminando uma última análise sobre um possível impacto da rejeição ao acordo nuclear com o Irã sobre o dólar. Porém, antecipou que atitude teria "um impacto profundamente negativo da noção que as pessoas têm da liderança e da confiabilidade nos EUA". O Congresso americano, controlado pela oposição republicana, deve votar em setembro sobre o acordo firmado em julho entre Irã e o Grupo 5+1 (EUA, Rússia, China, Reino Unido, França e Alemanha). Os legisladores só podem anular a participação dos EUA no pacto se conseguirem uma maioria de dois terços nas votações das duas casas, o que invalidaria o veto que o presidente americano, Barack Obama, prometeu impor a uma rejeição a acordo. Perguntado sobre qual será o "plano B" de Obama se os republicanos conseguirem obter o apoio necessário, Kerry disse que isso é "irrelevante" porque o "plano A" terá sucesso. EFE llb/lvl









