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Renúncia de Letta evidencia constante volatilidade dos governos italianos

Internacional|Do R7

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Marian Rosado. Roma, 13 fev (EFE).- A Itália viu a queda de cinco governos diferentes na última década que não conseguiram completar nem uma só legislatura, seja ele surgido das eleições ou nomeados pelo Chefe do Estado, pois a arena política italiana não é um terreno nada fácil para desenvolver um programa. É sintomático o fato de que o segundo governo do líder da centro-direita italiana, Silvio Berlusconi, que se estendeu entre junho de 2001 e maio de 2006, fora o mais longo na história da República. Berlusconi renunciou após as eleições regionais de 2005, na qual seu partido, a "Casa das Liberdades", obteve uma clara derrota. Apesar de ter renunciado, Berlusconi concorreu às eleições de 2006, nas quais foi derrotado por uma diferença mínima pelo líder da coalizão de centro-esquerda "A União" (L'Unione), Romano Prodi. Diante das críticas em relação à sua política externa, Prodi apresentou sua demissão em fevereiro de 2007, embora seu partido não tenha aceitado e ela tenha continuado como chefe de Governo por pouco menos de um ano. No dia 24 de janeiro de 2008, ele perdeu uma moção de confiança no Senado pela retirada do apoio dos democratas-cristãos Populares-Udeur, uma facção da coalizão "A Oliveira" com a qual Prodi governava, após um escândalo de corrupção envolvendo o seu então ministro da Justiça, Mario Clemente Mastella. Apesar de suas tentativas para manter uma estabilidade institucional, o já então presidente da República Italiana, Giorgio Napolitano, convocou uma eleição para ser realizada em abril desse mesmo ano, a qual foi vencida novamente por Berlusconi, que concorria com seu novo partido, o "Povo da Liberdade" (PDL). Rodeado de escândalos sexuais, "il Cavaliere" se viu forçado a renunciar em novembro de 2011, embora o motivo real tenha sido a grave crise econômica que o país atravessa - e que ainda atravessa -, agravada pelo insustentável prêmio de risco que alcançava máximos históricos e beirava um colapso na Itália. O presidente da República, com o apoio implícito da UE, decidiu encomendar a formação de um novo governo a Mario Monti, quem possuía o respaldo de uma reconhecida trajetória em Bruxelas. O novo governo "tecnocrata" não teve que passar por plebiscitos, já que tinha o objetivo de garantir a estabilidade da errante economia italiana. O Executivo de Monti introduziu medidas de austeridade e as reformas requeridas pela UE até que, em dezembro de 2011, o PDL de Berlusconi retirou seu apoio após a aprovação do "pacto de estabilidade" no Parlamento. Em fevereiro de 2013, novas eleições foram realizadas no país e, desta vez, com Berlusconi e o novo líder de centro-esquerda Pier Luigi Bersani como principais candidatos - além do convidado surpresa, o comediante Beppe Grillo, e seu "Movimento 5 Estrelas", que levariam uma boa parte da confiança do eleitorado. Bersani foi o ganhador, mas não levou o prêmio, já sua apertada vitória lhe impedia de formar um governo com seu próprio partido, ao tempo que o "Movimento 5 Estrelas" se negou a negociar uma coalizão, assim como o PDL de Berlusconi. O resultado foi a formação de um governo de coalizão, o primeiro destas características na Itália, entre o PDL e o PD liderado por Enrico Letta, de centro-esquerda, mas com antecedentes - pessoais e familiares - no centro-direita. No entanto, este governo de coalizão não completou nem um ano de governo. Desta vez, a centro-direita não foi a culpada, tendo em vista que o Executivo de Letta foi dinamitado pelo próprio PD, com a ascensão do secretário-geral e prefeito de Florença, Matteo Renzi. O ambicioso Renzi, como ele mesmo se definiu, não hesitou em pactuar uma lei eleitoral com Berlusconi e pediu a formação de um novo governo hoje, um dia depois de Letta ter apresentado seu plano "Compromisso Itália 2014". Agora, ele desponta como o possível líder de um futuro Executivo. EFE mrg/fk

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