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"Salvem-nos da morte", apelam moradores de cidade síria sitiada

Internacional|Do R7

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Por Oliver Holmes

BEIRUTE, 21 Out (Reuters) - Moradores de uma cidade da Síria sitiada por forças do presidente sírio, Bashar al-Assad, fizeram um apelo ao mundo, em uma carta aberta na qual descrevem seu sofrimento e situação desesperadora, e dizem: "salvem-nos da morte".


Centenas de homens, mulheres e crianças de Mouadamiya morreram e milhares ficaram feridas, afirmam na carta.

Localizada na periferia sudoeste da capital, Damasco, a localidade de Mouadamiya foi ocupada por rebeldes anti-Assad no ano passado e desde essa época o governo vem tentando retomar seu controle.


"Há quase um ano, a cidade de Mouadamiya está cercada, sem nenhum acesso a água, eletricidade, medicina, comunicações e combustível", dz a carta, distribuída nesta segunda-feira pelo grupo oposicionista Conselho Nacional Sírio.

"Nós fomos atingidos por foguetes, fogo de artilharia, napalm, fósforo branco e armas químicas", assinala.


Os autores, que não deram seus nomes, disseram ter conseguido encontrar energia suficiente para ativar um computador e conectá-lo à Internet para poder enviar a carta.

Segundo o Conselho, quase 12 mil pessoas correm risco de fome e morte em Mouadamiya. Cerca de 90 por cento da cidade foi destruída, poucos médicos ficaram lá e os moradores estão comendo "folhas de árvores".


A Reuters não pôde confirmar a veracidade dos relatos da cidade sitiada por causa das restrições governamentais. O governo diz que os moradores de Mouadamiya estão sendo "mantidos reféns" por terroristas, termo usado nas referências aos grupos opositores armados. As autoridades negam usar armas químicas.

A chefe da área humanitária das Nações Unidas, Valerie Amos, disse na semana passada que apesar de o governo ter removido 3 mil pessoas de Mouadamiya este mês, milhares ainda continuam sem ter como sair da cidade. Médicos locais disseram à Reuters que a fome se tornou severa nos últimos meses.

Já o porta-voz da unidade da ONU para a Infância na questão síria, Juliette Touma, declarou que pedidos de acesso à cidade foram negados várias vezes à suas equipes assistenciais.

"Nós sabemos que há crianças em Mouadamiya. Nós não sabemos exatamente quantas", disse ela. "Mouadamiya é uma parte de uma história maior." Juliette observou que essa é uma das muitas áreas que estão "fechadas" a movimento de civis pelas partes em guerra.

O grupo oposicionista Observatório Sírio para os Direitos Humanos, que monitora o conflito, disse nesta segunda-feira que os rebeldes e as forças do governo entraram em confronto nos arredores de Mouadamiya durante a noite e o Exército bombardeou a cidade.

"Nós apelamos ao seu senso de humanidade para que não se esqueçam de nós", escreveram "moradores" na carta. "Nós imploramos a vocês que levem essa mensagem para o mundo."

"Salvem-nos da morte. Salvem-nos do inferno da máquina de matança de Assad."

Mais de 100 mil pessoas morreram durante a guerra, que teve início em março de 2011 com pacíficas manifestações de protesto contra quatro décadas da família Assad no poder e se transformou em uma guerra civil de linha sectária.

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