Como Bin Laden se escondeu por anos sendo o homem mais procurado do mundo
Vida reclusa no Paquistão, uso de mensageiros e falhas de vigilância ajudaram líder da al-Qaeda a escapar da captura até 2011
Internacional|Do R7
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Osama bin Laden passou quase uma década escondido no Paquistão após os ataques de 11 de setembro de 2001, contrariando a imagem difundida durante anos de que vivia em cavernas remotas na fronteira com o Afeganistão. Relatos de familiares, documentos apreendidos e investigações posteriores indicam que o líder da al-Qaeda circulou por cidades e áreas habitadas antes de se fixar em Abbottabad, onde foi morto por forças especiais dos Estados Unidos em maio de 2011.
Segundo depoimentos atribuídos à sua mulher mais jovem, Amal Ahmed Abdel-Fatah, Bin Laden entrou no Paquistão em 2002 e passou por diferentes locais, incluindo Peshawar, Swat e Haripur. Em Haripur, duas de suas crianças teriam nascido em hospitais públicos. Em 2005, ele se mudou para um complexo construído em Abbottabad, cidade próxima a Islamabad e conhecida pela presença militar.
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A casa onde Bin Laden viveu por cerca de seis anos não tinha telefone nem conexão com a internet. A ausência desses serviços era parte de uma estratégia rígida de segurança, destinada a impedir que comunicações eletrônicas permitissem rastrear sua localização. Ainda assim, ele mantinha contato com aliados no exterior por meio de um sistema lento e baseado em extrema confiança.
De acordo com informações divulgadas após a operação, Bin Laden escrevia mensagens em um computador sem acesso à rede e as salvava em dispositivos de memória. Um mensageiro levava o material até um cibercafé distante, copiava o conteúdo para um e-mail e fazia o envio. O processo inverso era usado para levar respostas de volta ao esconderijo, permitindo que ele lesse tudo offline, sem deixar rastros digitais diretos.
O papel dos mensageiros foi central para sua sobrevivência. Entre os nomes citados nos relatos estão Ibrahim e Abrar, irmãos pashtuns que teriam protegido a família e auxiliado em deslocamentos. Um deles foi identificado por autoridades americanas como o mensageiro que levava mensagens de Bin Laden ao mundo exterior.
No cotidiano, o esconderijo tentava parecer apenas uma residência comum. Vizinhos relatavam muros altos, lixo queimado dentro da propriedade, criação de animais para abate e entregas feitas com orientações específicas, como a de não tocar a campainha. Crianças que perdiam bolas de críquete dentro do terreno recebiam dinheiro em vez de entrar para buscá-las.
Osama bin Laden passou de simples muçulmano fervoroso a maior terrorista do mundo em poucas décadas, se aproximando da Irmandade Muçulmana e fundando seu próprio grupo fundamentalista, a Al Qaeda, com “guerreiros” islâmicos pelo mundo. Bin Laden foi r...
Osama bin Laden passou de simples muçulmano fervoroso a maior terrorista do mundo em poucas décadas, se aproximando da Irmandade Muçulmana e fundando seu próprio grupo fundamentalista, a Al Qaeda, com “guerreiros” islâmicos pelo mundo. Bin Laden foi responsável pelo atentado terrorista que mudou a história dos Estados Unidos, em 2011, e que deu inicío a uma caçada de dez anos pelo terrorista, até que ele foi encontrado e morto no Paquistão. A seguir, relembre a caçada que terminou há exatos três anos, no dia 2 de maio de 2011
Apesar do isolamento, a presença de Bin Laden em Abbottabad levantou suspeitas e constrangimentos internacionais. O complexo ficava a poucos quilômetros de uma importante academia militar paquistanesa, o que levou autoridades e analistas a questionarem como ele conseguiu viver tanto tempo ali sem ser detectado.
Relatórios posteriores apontaram falhas graves de inteligência, segurança e governança no Paquistão. A Comissão de Abbottabad, criada para apurar o caso, atribuiu a permanência de Bin Laden no país a uma combinação de incompetência, negligência e colapso de mecanismos de fiscalização, embora o grau de conhecimento de autoridades sobre sua presença continue envolto em controvérsia.
A operação americana que matou Bin Laden também expôs a desconfiança entre Estados Unidos e Paquistão. Washington não informou previamente Islamabad sobre a ação, temendo vazamentos. A descoberta do esconderijo em uma cidade militarizada agravou as tensões entre os dois países e deixou sem resposta definitiva a pergunta central: quem, dentro ou fora do Estado paquistanês, sabia onde estava o homem mais procurado do mundo?
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