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Soldado diz que enviou dados ao Wikileaks para divulgar abusos militares

Internacional|Do R7

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Fort Meade (EUA), 28 fev (EFE).- O soldado Bradley Manning assumiu nesta quinta-feira ter enviado informações sigilosas ao Wikileaks e assegurou que fez isso para que os americanos conhecessem os abusos da guerra e "o desprezo à vida humana" com a qual alguns soldados executavam ataques no Iraque e Afeganistão. Na leitura de uma declaração de 35 páginas no tribunal militar onde é preparado seu julgamento, Manning explicou as motivações que o levaram a pôr à disposição do Wikileaks.org "por vontade própria" e "sem pressões" centenas de milhares de documentos secretos com a intenção "de levantar um debate público sobre o papel de as Forças Armadas e sobre política externa". Concretamente lembrou que cogitou vazar no início de 2010 o vídeo conhecido como "Colateral Damage", que mostra um ataque aéreo americano no qual faleceram dois fotógrafos da "Reuters", por conta do "desprezo à vida", "aparente prazer pela sangria" e pelo vocabulário depreciativo dos autores do ataque. Manning revelou que primeiro tentou enviar essa e outras informações confidenciais aos jornais "Washington Post" e "New York Times", mas que, ao considerar-se ignorado, entrou em contato com o Wikileaks. Em um depoimento de pouco mais de uma hora, Manning, detido em maio de 2010 quando era analista de inteligência no Iraque, reconheceu ter estado em contato através da internet com uma pessoa que ele imagina ser Julian Assange, fundador do Wikileaks, atualmente recluso na embaixada equatoriana em Londres. O soldado de 25 anos disse que sua "curiosidade e seu interesse pela geopolítica" o levaram também a vazar o conteúdo dos telegramas diplomáticos dos Estados Unidos, já que considerou que essa informação não "prejudicava os EUA e não era nada além de embaraçosa" e "um catálogos de fofocas". Além disso, Manning reconheceu que, embora tenha considerado entrar como analista do Exército por esse mesmo interesse em geopolítica, desde o começo teve problemas de adaptação que se agravaram por sua homossexualidade. Antes de ler seu depoimento, Manning se declarou, através de seu advogado, culpado de dez acusações, as menos graves das 22 que o Governo americano verteu contra ele, que lhe poderiam acarretar uma condenação de 20 anos de prisão. Manning evitou declarar-se culpado de "ajuda ao inimigo", a acusação mais grave e que pode ser castigada pela lei militar com a prisão perpétua. EFE jmr/rsd

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